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Em meio a desgaste com caso Vorcaro, Flávio busca foto com Trump em Washington

Flávio Bolsonaro desembarcou em Washington nesta segunda-feira (25) tentando viabilizar uma reunião com o presidente estadunidense Donald Trump em meio ao desgaste provocado pelos áudios envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro. A viagem ocorre após pesquisas do Datafolha e da AtlasIntel registrarem queda do senador do PL-RJ nos cenários eleitorais para 2026. Aliados do parlamentar tratam um encontro com Trump como instrumento para conter os danos políticos da crise e reposicionar a pré-campanha bolsonarista sob alinhamento com a política externa estadunidense.


O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) | Crédito: Sergio Lima/AFP
O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) | Crédito: Sergio Lima/AFP

O senador e pré-candidato à Presidência embarcou no domingo (24) pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos acompanhado de um segurança e chegou à capital estadunidense sem divulgar hotel ou agenda completa. Durante a viagem, permaneceu na classe executiva e foi abordado por passageiros para fotos. Ao desembarcar nos Estados Unidos, utilizou a fila destinada a portadores de passaporte diplomático.


A previsão da equipe de Flávio Bolsonaro é que a reunião ocorra na terça-feira (26), embora a Casa Branca não tenha confirmado oficialmente o encontro. Segundo aliados do senador, o convite teria sido encaminhado por e-mail ao gabinete parlamentar após articulação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos desde 2025 e mantém interlocução com integrantes do governo estadunidense e setores ligados ao trumpismo.

A movimentação ocorre após a divulgação de áudios que revelaram contatos entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, proprietário do banco Master, em busca de apoio financeiro para o filme Dark Horse, produção centrada na trajetória política de Jair Bolsonaro. A repercussão provocou desgaste na pré-campanha do senador e abriu nova frente de questionamentos sobre relações entre setores do bolsonarismo e empresários do sistema financeiro.


Em entrevista à BBC News Brasil durante a viagem, Flávio Bolsonaro evitou confirmar detalhes sobre o encontro. “Não posso dar detalhes. A orientação é que não falássemos nada antes da reunião acontecer”, declarou.


Nos bastidores da campanha, integrantes do entorno do senador avaliam que uma fotografia ao lado de Trump pode servir como resposta à sequência de notícias negativas envolvendo Vorcaro. A tentativa de aproximação com a Casa Branca também surge após a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos Estados Unidos, interpretada por aliados bolsonaristas como movimento de fortalecimento diplomático do governo brasileiro junto à administração estadunidense.


Segundo interlocutores do senador, a conversa com Trump poderá incluir temas ligados ao crime organizado, tarifas comerciais, minerais críticos e regulação de plataformas digitais. Flávio Bolsonaro também pretende defender que o PCC e o Comando Vermelho sejam classificados pelos Estados Unidos como organizações terroristas, alinhando-se à política de securitização internacional impulsionada por Washington na América Latina.

Em entrevista à CNN, o senador afirmou que pretende adotar uma política externa baseada no “pragmatismo”. “Minha condução na política externa vai ser pragmática, a favor do povo brasileiro. Não tenho problema nenhum de sentar para conversar com os Estados Unidos ou com a China, com Israel ou outros países do Oriente Médio, sempre pensando no que for melhor para o Brasil”, disse.


A retórica do “pragmatismo” aparece enquanto setores do bolsonarismo aprofundam relações políticas com o trumpismo estadunidense e defendem alinhamento diplomático com Washington em áreas de segurança, tecnologia e comércio. Desde o governo Jair Bolsonaro, a extrema direita brasileira consolidou vínculos com estruturas políticas ligadas à direita estadunidense, reproduzindo pautas de política externa subordinadas aos interesses estratégicos dos Estados Unidos no continente.


No Palácio do Planalto, integrantes do governo Lula acompanham a viagem com cautela. Auxiliares presidenciais afirmaram reservadamente que não pretendem questionar a Casa Branca sobre a eventual reunião, mas avaliam que a ida de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos busca deslocar o foco da crise envolvendo Daniel Vorcaro e reorganizar a narrativa pública da campanha bolsonarista.


A realização do encontro ainda é tratada com cautela por aliados do senador. Trump permaneceu em Washington nos últimos dias acompanhando negociações entre Estados Unidos e Irã e chegou a cancelar compromissos pessoais para tratar das conversas diplomáticas. Integrantes da equipe de Flávio Bolsonaro admitem a possibilidade de mudança de agenda de última hora por parte do governo estadunidense.

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