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Líbano acusa Israel de usar herbicida como arma

O governo libanês apresentou uma denúncia ao Conselho de Segurança da ONU e ao secretário-geral das Nações Unidas acusando Israel de pulverizar glifosato em áreas do sul do Líbano próximas à fronteira entre os dois países. A queixa foi formalizada durante a semana de 8 a 14 de junho de 2026 e sustenta que a substância foi utilizada em concentrações registradas acima dos níveis associados ao uso agrícola. O episódio ocorre em meio à continuidade das operações militares israelenses em território libanês e às negociações iniciadas entre Beirute e Tel Aviv para conter as hostilidades.


Oliveiras arrancadas pelas forças israelenses jazem em terras agrícolas na vila de Blida, no sul do Líbano, em 20 de outubro de 2025
Oliveiras arrancadas pelas forças israelenses jazem em terras agrícolas na vila de Blida, no sul do Líbano, em 20 de outubro de 2025

Em comunicado divulgado em 14 de junho, o Ministério das Relações Exteriores do Líbano informou que encaminhou documentação ao Conselho de Segurança da ONU baseada em análises conduzidas pelo Conselho Nacional de Pesquisa Científica (CNRS), instituição vinculada ao governo libanês. Segundo o ministério, testes laboratoriais e análises químicas realizados em amostras de solo coletadas nas localidades fronteiriças de Aita al-Shaab, Ras Naqura e Dhayra identificaram a presença de glifosato em níveis que, de acordo com o relatório, “excedem em muito” aqueles encontrados após aplicações agrícolas convencionais.


A denúncia libanesa sustenta que a pulverização ocorreu em território nacional e caracteriza a ação como uso de um agente químico contra áreas habitadas e agrícolas. A acusação amplia a lista de contestações apresentadas por Beirute diante das operações conduzidas por Israel ao longo da fronteira sul do país.


Antes da divulgação dos resultados das análises, a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) havia informado que recebeu comunicação prévia de Israel sobre a realização de pulverizações próximas à linha de fronteira. Segundo a missão da ONU, as autoridades israelenses descreveram o produto como uma “substância química não tóxica” e alertaram os integrantes da força de paz para que permanecessem abrigados durante a operação.


O presidente libanês Joseph Aoun condenou a ação e classificou a pulverização como uma “violação flagrante da soberania libanesa e um crime contra o meio ambiente e a saúde”. A declaração foi incorporada à argumentação apresentada pelo governo libanês junto às Nações Unidas.

A nova queixa encaminhada por Beirute também inclui denúncias relacionadas à continuidade dos ataques israelenses contra o território libanês. O Ministério das Relações Exteriores afirmou que o governo apresentou ao Conselho de Segurança registros de ações militares israelenses que atingiram alvos dentro do país, incluindo um ataque contra um veículo do Exército libanês ocorrido no início de junho de 2026.


Segundo o comunicado oficial, o ataque matou dois oficiais em serviço e um soldado. O governo libanês argumenta que operações desse tipo representam violação da soberania nacional e comprometem os mecanismos diplomáticos em andamento.


O ministério declarou que “os ataques de Israel contra militares libaneses prejudicam diretamente esses esforços diplomáticos”, referência às negociações abertas entre os dois países para reduzir a escalada militar ao longo da fronteira.

Em abril de 2026, Israel e Líbano iniciaram em Washington negociações diretas voltadas para interromper os confrontos que persistem desde a expansão das operações militares israelenses na região. Os dois países não mantêm relações diplomáticas formais, fato que confere caráter excepcional ao processo de diálogo iniciado sob mediação estadunidense.


Uma nova rodada de negociações está prevista para ocorrer ainda em junho. Paralelamente, delegações militares israelenses e libanesas participaram de reuniões sobre questões de segurança no Pentágono durante o mês de maio.


A denúncia apresentada por Beirute insere a questão ambiental no centro das disputas em torno da fronteira sul libanesa, região marcada por operações militares israelenses, destruição de áreas agrícolas e deslocamento de populações desde o início da escalada entre Israel e o Hezbollah. Imagem divulgada em outubro de 2025 mostrava oliveiras arrancadas por forças israelenses em terras agrícolas da localidade de Blida, no sul do Líbano.


As informações foram divulgadas pelo Ministério das Relações Exteriores do Líbano, pelo Conselho Nacional de Pesquisa Científica do Líbano, pela missão da ONU no país e pela agência AFP em 14 de junho de 2026.

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