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Lula se reúne com Macron na França e diz que leva ao G7 a voz do Sul Global

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se nesta segunda-feira, 15 de junho, com o presidente francês Emmanuel Macron em Évian, na França, antes da abertura da Cúpula do G7. Durante o encontro, os dois chefes de Estado discutiram temas bilaterais, cooperação tecnológica, defesa e iniciativas internacionais. Lula afirmou que participa da reunião levando ao grupo a posição do Sul Global em defesa do multilateralismo, da paz e do desenvolvimento.


26.03.2024 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião bilateral com o Presidente da República Francesa, Emmanuel Macron, na Baía do Guajará. Belém - PA. | Foto: Ricardo Stuckert / PR
26.03.2024 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião bilateral com o Presidente da República Francesa, Emmanuel Macron, na Baía do Guajará. Belém - PA. | Foto: Ricardo Stuckert / PR

A reunião entre Lula e Macron ocorreu na tarde de segunda-feira e durou cerca de 40 minutos. O encontro antecedeu as atividades da Cúpula do G7, fórum que reúne algumas das principais economias industrializadas e que, nos últimos anos, ampliou a participação de países convidados fora do núcleo tradicional do bloco.


Em publicação nas redes sociais após a reunião, Lula agradeceu o convite feito pelo governo francês para a participação brasileira no encontro. O presidente afirmou que o Brasil retorna ao fórum internacional levando propostas relacionadas à cooperação entre países em desenvolvimento e à defesa de mecanismos multilaterais de negociação.


"Levamos a voz do Sul Global e reafirmamos nosso compromisso com a paz, a defesa do multilateralismo, o desenvolvimento sustentável e a construção de um mundo mais justo", declarou Lula.


O presidente brasileiro recordou que participou pela primeira vez de uma reunião do G7 justamente em Évian, em 2003. Naquele período, o Brasil ampliava sua inserção diplomática internacional por meio de iniciativas voltadas à cooperação Sul-Sul e à articulação com países da África, Ásia e América Latina.


A participação brasileira ocorre em um momento de disputas geopolíticas envolvendo grandes potências, sanções econômicas, conflitos armados e debates sobre reformas das instituições multilaterais criadas após a Segunda Guerra Mundial. Nesse contexto, o governo brasileiro tem defendido mudanças em organismos internacionais, incluindo a ampliação da representação de países do Sul Global em espaços de decisão política e econômica.


Durante a reunião bilateral, Lula e Macron também abordaram temas relacionados à cooperação entre Brasil e França. Um dos pontos destacados foi o aniversário de 20 anos da criação da UNITAID, iniciativa lançada em 2006 por Lula e pelo então presidente francês Jacques Chirac.


A organização foi criada com o objetivo de ampliar o acesso a medicamentos em países de renda baixa e média, especialmente no enfrentamento de doenças que afetam populações do Sul Global. O projeto tornou-se uma das iniciativas internacionais associadas à cooperação em saúde pública promovida pelos dois países.


Segundo informações divulgadas pelo Palácio do Planalto, os presidentes também avaliaram projetos de cooperação na área de defesa. Entre os temas discutidos esteve o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), resultado de acordos firmados entre Brasil e França para transferência de tecnologia, construção naval e fortalecimento da capacidade industrial brasileira no setor.


Outro ponto tratado durante a conversa foi o aprofundamento da cooperação entre a Guiana Francesa e o estado brasileiro do Amapá. Os governos discutiram medidas relacionadas à integração transfronteiriça, incluindo infraestrutura, circulação de pessoas e cooperação administrativa em áreas localizadas na fronteira entre os dois territórios.


Macron também manifestou interesse francês em participar de projetos brasileiros voltados à aquisição de supercomputadores. Segundo o governo brasileiro, o tema foi apresentado como parte dos esforços para ampliar a capacidade nacional de processamento de dados, pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico.


A discussão sobre supercomputação ocorre em um cenário de disputa internacional por infraestrutura digital, inteligência artificial, armazenamento de dados e capacidade computacional. Nos últimos anos, governos de diversos países passaram a tratar essas tecnologias como elementos associados à soberania tecnológica e à autonomia estratégica.


O encontro entre Lula e Macron integrou a agenda preparatória da participação brasileira na Cúpula do G7, realizada em Évian, cidade que também sediou a primeira participação de Lula no fórum em 2003.

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