Medicamentos em fase de teste podem ajudar a conter ebola na RD Congo
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O surto de ebola na República Democrática do Congo continua em expansão e já soma 1.561 casos confirmados, 506 mortes e 254 pessoas recuperadas, conforme dados divulgados pelo governo congolês até 4 de julho. A Organização Mundial da Saúde iniciou, em 2 de julho, um ensaio clínico para avaliar duas opções terapêuticas destinadas ao tratamento da doença causada pelo vírus bundibugyo. A resposta sanitária também inclui ampliação da capacidade laboratorial, monitoramento de mais de 10 mil contatos e reforço das equipes de vigilância epidemiológica nas áreas afetadas.

Segundo informações divulgadas pela Organização Mundial da Saúde em 7 de julho de 2026, o avanço da doença ocorre no leste da República Democrática do Congo, onde as equipes de saúde buscam acelerar o diagnóstico dos casos e ampliar as alternativas de tratamento disponíveis. O surto foi oficialmente declarado em 15 de maio e continua concentrado em regiões marcadas por deslocamentos populacionais, confrontos armados e limitações na infraestrutura de saúde.
A representante da Organização Mundial da Saúde na República Democrática do Congo, Anne Ancia, afirmou que mais de 10 mil pessoas identificadas como contatos de casos confirmados permanecem sob monitoramento. Falando a partir de Bunia, capital da província de Ituri, considerada o principal foco da epidemia, ela declarou que "a verdadeira escala do surto ainda não foi totalmente estabelecida".
O estudo clínico iniciado em 2 de julho avalia duas alternativas terapêuticas consideradas candidatas ao tratamento da infecção. Os pesquisadores analisam o anticorpo monoclonal MBP134 e o antiviral remdesivir, administrados tanto de forma isolada quanto em combinação, com o objetivo de medir seus efeitos sobre a sobrevivência dos pacientes infectados.
De acordo com Anne Ancia, mais de 1,2 mil doses dos medicamentos já estão disponíveis para utilização durante o estudo. A representante da OMS informou ainda que outras terapias poderão ser incorporadas ao protocolo caso novos dados científicos sustentem sua inclusão durante o desenvolvimento da pesquisa.
Até o momento, não existe tratamento considerado comprovadamente curativo para a doença provocada pelo vírus bundibugyo, uma das espécies do vírus Ebola responsáveis por surtos em países africanos. A pesquisa em andamento busca reunir evidências clínicas sobre a eficácia das opções atualmente disponíveis para ampliar as possibilidades de atendimento aos pacientes.
Em apoio às autoridades congolesas, a Organização Mundial da Saúde participa do rastreamento das cadeias de transmissão da doença, da investigação de novos alertas epidemiológicos, da identificação de contatos e do isolamento das pessoas expostas ao vírus. As equipes também desenvolvem ações de mobilização comunitária e acompanhamento dos pacientes internados nas áreas atingidas.
Anne Ancia visitou centros de tratamento localizados em Bunia, Beni, Butembo e Katwa. Após a inspeção das unidades, informou que os estabelecimentos encontram-se "no ponto de saturação", indicando que a capacidade instalada está próxima do limite diante do crescimento do número de pacientes.
A representante da OMS também alertou para a insuficiência da frota de ambulâncias disponível na província de Ituri. Segundo ela, o transporte de pacientes e de equipes médicas enfrenta limitações que dificultam a resposta ao avanço da epidemia.
Entre os avanços registrados durante a resposta sanitária está a ampliação da capacidade nacional de diagnóstico. A quantidade diária de testes realizados em Kinshasa passou de 30 para 2 mil exames após a implantação de dez laboratórios descentralizados nas províncias afetadas, incluindo a inauguração da unidade laboratorial mais recente em Bunia.
Além da emergência sanitária, o leste da República Democrática do Congo permanece marcado por confrontos armados. As províncias de Kivu do Norte, Kivu do Sul e Ituri continuam registrando episódios de violência que afetam o deslocamento das equipes médicas, das populações locais e das operações humanitárias.
No fim de junho, o chefe da Missão de Estabilização das Nações Unidas na República Democrática do Congo (Monusco), James Swan, informou ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que os combates permaneciam em andamento. Segundo o representante da missão, os enfrentamentos envolvem o Movimento Fleuve Congo/23 de Março, apontado pelas autoridades congolesas como apoiado por forças de Ruanda, e o Exército da República Democrática do Congo, que atua ao lado do grupo armado Wazalendo. O governo de Ruanda continua rejeitando as acusações de apoio ao movimento armado.












































