O jovem não quer saber de política ou é a política que não alcança a juventude?
- www.jornalclandestino.org

- há 2 dias
- 3 min de leitura
A secretária nacional de Juventude, Vitória Genuíno, afirmou que as políticas públicas voltadas aos jovens precisam considerar a juventude como força presente na construção da sociedade brasileira. Em entrevista à Rede PT de Comunicação, ela defendeu maior participação juvenil na política, novas formas de diálogo institucional e medidas relacionadas ao trabalho digno. Aos 30 anos, a gestora coordena ações do Governo Federal voltadas às demandas de milhões de jovens no país.

Mulher negra, pernambucana, mãe e formada em Direito pelo Fundo de Financiamento Estudantil (FIES), Vitória Genuíno afirma que sua trajetória política foi construída a partir da vivência no movimento estudantil, na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), onde passou a compreender as desigualdades sociais que atravessavam sua própria história.
Sua atuação também passou pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), onde participou da organização da juventude ligada à luta por moradia, trabalho digno e justiça social. Antes de assumir a Secretaria Nacional de Juventude, esteve à frente do gabinete da vereadora Jô Cavalcanti (PSOL-CE), no Recife, e foi convidada pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, para integrar o governo.
Segundo Vitória, a ideia de que os jovens brasileiros perderam interesse pela política não corresponde à realidade. Para ela, o desafio está na capacidade das instituições tradicionais de estabelecer diálogo com uma geração que utiliza outros espaços de organização e mobilização.
“Muitas das vezes é a política que acaba não alcançando a juventude. Essa é uma das tarefas que a gente tem nessa gestão: conversar com esses jovens que não estão tradicionalmente organizados nos modelos que a gente costuma observar ou costuma atuar”, declarou.
A secretária afirmou que batalhas de rima, coletivos culturais, iniciativas comunitárias, movimentos territoriais e redes digitais são ambientes onde parte da juventude desenvolve participação política, mesmo quando essas práticas não são reconhecidas pelos formatos tradicionais de organização.
“A gente precisa entender que essa juventude pauta trabalho, saúde e melhoria de vida através de outras mobilizações”, afirmou Vitória.
Ela citou como exemplo o prêmio Vozes Periféricas, realizado em parceria com a Secretaria de Diálogos Sociais, iniciativa que levou representantes do governo para espaços culturais como batalhas de rima, com o objetivo de apresentar políticas públicas e reconhecer coletivos juvenis como formas de articulação social.
Ao tratar das políticas públicas destinadas aos jovens, a secretária destacou que não existe uma única realidade juvenil no Brasil. Segundo ela, as diferenças regionais, sociais e raciais exigem ações específicas para grupos distintos.
Entre as iniciativas citadas estão o Plano Nacional de Juventude, o programa Juventude Solidária, o plano Juventude Negra Viva, desenvolvido em parceria com o Ministério da Igualdade Racial, além de programas conduzidos pelo Ministério da Educação, como o Pé-de-Meia e a ampliação dos cursinhos populares.
Para Vitória, essas medidas fazem parte de uma reconstrução das políticas públicas para a juventude. “A Secretaria Nacional de Juventude também passa por um momento de reconstrução. O governo Lula é um governo de reconstrução e tem colocado a juventude como prioridade”, declarou.
A secretária também relacionou o debate sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 às condições enfrentadas pelos jovens trabalhadores brasileiros. Segundo ela, uma parcela significativa dos trabalhadores submetidos a formas precárias de ocupação, incluindo atividades por aplicativos, é formada por jovens.
“A gente fala daquele jovem que não tem tempo para sonhar, para viver, só tem tempo para trabalhar”, afirmou.
Vitória defendeu que mudanças nas relações de trabalho devem considerar o direito dos jovens ao estudo, ao convívio social, ao cuidado com a saúde mental e ao desenvolvimento de projetos pessoais. Ela afirmou que o Governo Federal criou um grupo de trabalho para dialogar com trabalhadores de aplicativos e buscar respostas para novas formas de precarização.
Apesar de o Brasil registrar índices de desemprego entre os menores da série histórica recente, a secretária afirmou que permanecem desafios relacionados às transformações do mercado de trabalho e às condições de inserção profissional da juventude.
“Quando a gente fala sobre a unificação da juventude em torno desse debate, é porque fala diretamente sobre a vida dessas pessoas”, disse Vitória Genuíno.












































