O julgamento de manifestante presa por usar fantasia de pênis em protesto “No Kings” contra Trump
- www.jornalclandestino.org

- 23 de abr.
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O julgamento de uma manifestante detida durante um protesto no Alabama terminou em absolvição após decisão judicial em 15 de abril de 2026. A acusação sustentava que a mulher representava risco à segurança pública, argumento rejeitado pelo juiz. O caso ocorreu após sua prisão em outubro de 2025, quando participava de um ato político vestindo uma fantasia inflável. A defesa alegou violação à liberdade de expressão e uso desproporcional da força policial. A decisão expôs tensões entre repressão estatal e direitos civis no contexto político estadunidense contemporâneo.

O tribunal municipal de Fairhope, no estado do Alabama, absolveu Renea Gamble, de 62 anos, após considerar insuficientes as provas apresentadas pela acusação para sustentar as contravenções imputadas. A decisão foi proferida pelo juiz Haymes Snedeker ao final de um julgamento que se estendeu por várias horas no Fairhope Civic Center. A promotoria municipal havia ampliado as acusações iniciais, incluindo a alegação de fornecimento de nome falso às autoridades, posteriormente descartada ainda durante o processo.
Gamble foi presa em outubro de 2025 durante um protesto do movimento No Kings, no qual utilizava uma fantasia inflável de aproximadamente 2,13 metros em formato fálico e portava um cartaz com os dizeres “No Dick, Tator”. Imagens do episódio circularam amplamente nas redes, transformando o caso em símbolo local de debate sobre liberdade de expressão. A manifestação ocorreu em via pública e foi descrita por testemunhas como pacífica.
Durante o julgamento, o advogado da cidade, Marcus McDowell, tentou sustentar que a ré teria provocado deliberadamente sua própria prisão, chegando a convocar como testemunha surpresa Larry Fletcher, marido de Gamble, de 63 anos. Ao ser questionado sobre suposta preparação prévia para pagamento de fiança, Fletcher respondeu: “Eu sempre me certifico de ter dinheiro para a fiança!”, provocando risos no tribunal e enfraquecendo a tese acusatória.
A promotoria insistiu que o caso não envolvia liberdade de expressão, mas sim segurança pública. O cabo Andrew Babb, policial responsável pela prisão, afirmou que a manifestante representava “uma distração” e, portanto, um risco potencial para motoristas e pedestres. Segundo seu depoimento, a fantasia dificultava a visão e locomoção de Gamble, justificando a abordagem policial.
Entretanto, imagens de câmeras corporais apresentadas pela defesa contradisseram parte significativa do relato policial. Os vídeos mostram o agente repreendendo a manifestante repetidamente pelo conteúdo simbólico da fantasia e questionando sua adequação moral, afirmando: “Não estou tentando violar sua liberdade de expressão. Estou tentando preservar uma cidade que tem valores”. As gravações também indicam que Gamble foi derrubada ao chão e algemada enquanto tentava se retirar do local.
A defesa, conduzida pelo advogado de direitos civis David Gespass, argumentou que a abordagem policial foi seletiva e motivada pelo conteúdo político do protesto. Testemunhas presentes no ato confirmaram que não houve tumulto ou ameaça concreta à ordem pública, sustentando que a única escalada de tensão partiu da intervenção policial.
Do lado de fora do tribunal, dezenas de apoiadores se reuniram com cartazes e fantasias simbólicas, denunciando o que consideraram repressão à liberdade de expressão. Antes de entrar na audiência, Gamble declarou: “Não estou sendo julgada. O que está em julgamento é a Primeira Emenda”, em referência à Constituição estadunidense.
O juiz Snedeker afirmou que, embora a polícia pudesse alegar causa provável para a detenção, o conjunto probatório não sustentava condenação “além de qualquer dúvida razoável”. Com isso, declarou Gamble inocente de todas as acusações remanescentes.
O caso ocorre em meio a um ambiente político polarizado nos Estados Unidos, onde disputas sobre liberdade de expressão, repressão policial e mobilização política têm se intensificado, especialmente em estados conservadores. Em Fairhope, cidade costeira a cerca de 32 quilômetros de Mobile, o episódio também se insere em conflitos recentes envolvendo censura a bibliotecas públicas e perseguição a manifestações políticas.
Após a absolvição, Gamble anunciou que pretende processar a cidade, formalizando um aviso judicial dias depois da decisão. Seu advogado indicou que a ação deve questionar a legalidade da prisão e o uso de força policial.












































