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O que é a BlackCore, empresa israelense acusada de interferir em eleições nos EUA e Escócia

A empresa israelense de cibersegurança BlackCore é alvo de investigações por suspeita de participação em operações de influência digital durante processos eleitorais na França, na cidade de Nova York e na Escócia. As suspeitas foram apresentadas pela agência francesa de combate à desinformação Viginum e divulgadas pela Reuters em 12 de junho. O caso amplia as acusações de interferência política transnacional envolvendo empresas privadas israelenses especializadas em operações digitais e gestão de narrativas online.


Zohran Mamdani | BLOOMBERG
Zohran Mamdani | BLOOMBERG

Durante uma coletiva de imprensa realizada na quinta-feira ao lado do primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, o diretor da Viginum, Marc-Antoine Brillant, afirmou que análises técnicas conduzidas pelo órgão apontaram para a possível participação da BlackCore em campanhas de influência digital em diferentes países.


Segundo Brillant, os elementos identificados durante a investigação indicam que as operações atribuídas à empresa não ficaram restritas ao território francês. "Esse modus operandi não se limitou às eleições municipais na França. Aparentemente, também foi usado para realizar operações de interferência digital estrangeira em outros países ou regiões, como Angola, Togo, as eleições na Escócia e as eleições municipais de 2025 em Nova York", declarou.


A Viginum informou que ainda não conseguiu identificar quem financiou ou contratou as operações investigadas. "Nossas investigações não possibilitaram identificar o(s) patrocinador(es), se de fato existirem, por trás dessa interferência digital estrangeira", afirmou Brillant.


As suspeitas contra a BlackCore surgiram após investigações relacionadas às eleições municipais francesas. Em maio, autoridades francesas apontaram indícios de que a empresa estaria por trás de uma campanha digital destinada a atingir três candidatos do partido França Insubmissa (LFI), organização política identificada com posições de esquerda e com apoio à causa palestina.


Segundo as investigações, a operação utilizou páginas falsas, contas em redes sociais e publicidade digital para disseminar acusações criminosas contra candidatos que disputavam prefeituras em Marselha, Toulouse e Roubaix. Entre as acusações divulgadas estavam alegações falsas de agressão sexual e outros crimes.


Posteriormente, uma investigação conjunta realizada pelos jornais Liberation e Haaretz identificou ferramentas digitais utilizadas na campanha em um servidor associado à BlackCore e a duas empresas localizadas em Tel Aviv. As descobertas ampliaram as suspeitas sobre a existência de uma estrutura organizada voltada à manipulação de debates políticos por meio de operações digitais.


O governo francês passou a cobrar esclarecimentos do governo israelense sobre as atividades da empresa. Durante a coletiva, Sébastien Lecornu afirmou que Paris solicitou cooperação para identificar os responsáveis pela campanha.


"Não tenho a menor dúvida de que, se um grupo privado francês, a partir de território francês, tivesse se envolvido em interferência digital estrangeira em Israel, teria feito o mesmo com o embaixador israelense no local", declarou o primeiro-ministro francês.


A embaixada de Israel em Paris confirmou que recebeu questionamentos das autoridades francesas e informou que aguardava detalhes adicionais da investigação para realizar apurações próprias.


As investigações também alcançaram processos eleitorais fora da França. Embora Marc-Antoine Brillant não tenha identificado diretamente os alvos da suposta interferência nas eleições municipais de Nova York realizadas em 2025, a informação ganhou repercussão devido à vitória de Zohran Mamdani, político que se destacou por manifestações públicas em apoio à Palestina e por críticas às ações israelenses durante o genocídio contra a população palestina.


Segundo a Reuters, a equipe de Mamdani não respondeu aos pedidos de comentários. O Departamento de Polícia de Nova York e a Agência de Segurança Cibernética e Infraestrutura dos Estados Unidos também não se manifestaram. O FBI recusou comentar o assunto.


A Viginum informou ainda que contas associadas à BlackCore também teriam atuado contra o primeiro-ministro da Escócia, John Swinney. O dirigente escocês declarou anteriormente que a situação em Gaza constituía uma "catástrofe humanitária provocada pelo homem" e afirmou que um genocídio poderia estar em curso no território palestino.


Antes de remover seus perfis e páginas da internet após questionamentos de jornalistas, a BlackCore apresentava-se como "uma empresa de elite de influência, cibersegurança e tecnologia, criada para a era moderna da guerra da informação".


Em sua descrição institucional, a empresa afirmava oferecer a governos e campanhas políticas "estratégias de ponta, ferramentas avançadas e segurança robusta para moldar narrativas".


A BlackCore não respondeu aos pedidos de esclarecimento encaminhados por veículos de imprensa sobre as acusações e investigações em andamento.

 
 

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