ONU estimula governança global da IA em meio a alertas de "danos catastróficos"
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A Organização das Nações Unidas iniciou em Genebra, na Suíça, o Diálogo Global sobre Governança da Inteligência Artificial para discutir regras internacionais diante do avanço da tecnologia e dos riscos associados ao seu uso. O encontro reúne governos, empresas de tecnologia, pesquisadores e representantes da sociedade civil em busca de mecanismos de controle para uma ferramenta que evolui em ritmo superior ao das normas criadas para regulá-la. O debate ocorre após alertas de cientistas ligados à ONU sobre a possibilidade de propagação de desinformação, comportamento enganoso de máquinas e ocorrência de “danos catastróficos”.

O evento de dois dias, iniciado em 6 de julho de 2026, marca a primeira reunião em que todos os países têm espaço formal para discutir a governança internacional da inteligência artificial (IA), segundo a ONU. A iniciativa ocorre em um cenário no qual empresas privadas concentram parte do desenvolvimento da tecnologia enquanto governos tentam estabelecer parâmetros sobre segurança, responsabilidade e uso público.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, e a presidente da Assembleia Geral da ONU, Annalena Baerbock, participam das discussões em Genebra. O encontro debate como ampliar a cooperação entre países para estabelecer salvaguardas relacionadas ao desenvolvimento e à aplicação da inteligência artificial.
A preparação para o diálogo ocorreu com a divulgação, na quarta-feira anterior ao encontro, de um relatório preliminar elaborado pelo Painel Científico Internacional Independente criado pela ONU. O grupo reúne 40 especialistas de diferentes países e produziu uma avaliação baseada em dados científicos revisados por pesquisadores de 37 países.
O relatório afirma que a inteligência artificial pode gerar benefícios para populações em diferentes regiões quando utilizada sob critérios de responsabilidade e segurança. O documento também aponta que a expansão da tecnologia apresenta riscos relacionados à desinformação, à manipulação de informações e à possibilidade de sistemas apresentarem comportamentos que dificultem o controle humano.
A jornalista filipina Maria Ressa, vencedora do Prêmio Nobel da Paz e copresidente do painel científico da ONU, afirmou que a primeira geração de inteligência artificial foi incorporada às redes sociais, contribuindo para acelerar a circulação de informações falsas.
“Quando carregada de medo, raiva e ódio, a informação viraliza”, declarou Ressa à ONU News. Ela afirmou que, quando a sociedade deixa de conseguir diferenciar fatos de ficção, “não é possível haver democracia”.
A jornalista descreveu o cenário como um “Armagedon da informação”, relacionando o avanço da inteligência artificial ao aumento da capacidade de produção e distribuição de conteúdos falsos em escala global.
O cientista da computação franco-canadense Yoshua Bengio, também copresidente do painel da ONU, afirmou que a inteligência artificial está se aproximando ou superando capacidades humanas em diferentes áreas. Segundo ele, o desenvolvimento tecnológico ocorre em velocidade superior à compreensão científica e à capacidade de adaptação dos governos.
Bengio alertou que a ciência não possui garantias de que a inteligência artificial não causará danos catastróficos, seja por ações próprias dos sistemas ou pelo uso por pessoas com objetivos prejudiciais.
O relatório apresentado pelo Painel Científico Internacional Independente destaca que o potencial da inteligência artificial é amplo, mas que os riscos aumentam conforme governos atrasam a criação de mecanismos internacionais de proteção.
A ONU informou que o Diálogo Global sobre Governança da IA busca iniciar negociações para estabelecer princípios aceitos internacionalmente sobre o desenvolvimento e o uso da tecnologia.












































