Unicef: Crianças no Sudão estão presas em um “ciclo implacável” de violência
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Pelo menos 330 crianças morreram no Sudão desde o início de 2026 em ataques registrados principalmente nos Estados de Darfur e Cordofão, informou o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em 6 de julho. A agência da ONU alertou que a situação em Al Obeid e em outras áreas do Cordofão do Norte expõe centenas de milhares de civis a riscos de morte, ferimentos e deslocamento. O Unicef afirmou que as crianças sudanesas estão presas em um “ciclo implacável de violência, deslocamento e privação” desde o início da guerra iniciada em 2023.

O alerta foi divulgado enquanto confrontos entre o Exército Sudanês e as Forças de Apoio Rápido (RSF) mantêm áreas urbanas e comunidades civis sob ataques, com interrupção de rotas de abastecimento e pressão sobre serviços essenciais como saúde, educação, fornecimento de água e mercados.
O Unicef informou que, desde maio de 2026, ataques com drones e outros métodos de combate provocaram mais de 35 vítimas infantis no Estado do Cordofão do Norte. Entre as vítimas estão pelo menos 18 crianças mortas e mais de 17 feridas, com idades entre dois meses e 17 anos. De acordo com os relatos recebidos pela agência, ataques com drones foram responsáveis por cerca de 60% dessas vítimas.
Os ataques também atingiram estruturas utilizadas pela população civil. Residências, escolas, instalações de saúde, sistemas de água e mercados sofreram danos durante a sequência de bombardeios e operações militares.
O Unicef declarou que aproximadamente 500 mil civis estão sob risco em todo o Cordofão do Norte, com concentração da preocupação em Al Obeid e áreas próximas. A agência afirmou que uma nova escalada da violência pode ampliar a exposição de crianças a mortes, ferimentos, deslocamentos forçados e violações de proteção.
“O que estamos vendo é um ciclo implacável de violência, deslocamento e privação para as crianças no Sudão”, declarou Sheldon Yett, representante do Unicef no país.
Segundo Yett, muitas crianças perderam a possibilidade de encontrar locais seguros, pois estão sendo atingidas dentro de suas próprias casas, nas ruas, nos mercados e durante deslocamentos para buscar serviços básicos, incluindo educação e atendimento médico.
“As crianças nunca devem ser alvo e suas vidas devem ser protegidas”, afirmou o representante do Unicef.
A continuidade dos ataques também aprofundou o medo e o trauma entre menores que vivem em comunidades submetidas a bombardeios e deslocamentos repetidos. O Unicef alertou que crianças permanecem expostas a violações graves, incluindo recrutamento forçado por grupos armados, sequestro, violência sexual e ataques contra escolas e hospitais.
A crise no Sudão começou após a ruptura entre o Exército Sudanês e as Forças de Apoio Rápido em abril de 2023, quando disputas pelo controle político e militar do país deram origem a confrontos que provocaram deslocamentos internos e fuga de milhões de pessoas para países vizinhos.
O Unicef pediu que todas as partes envolvidas interrompam ataques contra civis, garantam acesso humanitário seguro e adotem medidas para proteger crianças diante da continuidade das operações militares.












































