top of page
2_00000.avif

Smotrich declara "revolução" na expansão dos assentamentos na Cisjordânia

O gabinete israelense aprovou a criação de 13 novos assentamentos na Cisjordânia ocupada enquanto comunidades palestinas enfrentam aumento de demolições e ataques de colonos. O ministro das Finanças israelense, Bezalel Smotrich, afirmou que Israel iniciou uma “revolução na expansão dos assentamentos” para ampliar postos avançados além da Cisjordânia ocupada. A medida ocorre em meio a dados que registram crescimento dos assentamentos e aumento da violência contra palestinos desde 2023.


Smotrich, 2025. ©Yonatan Sindel_Flash90
Smotrich, 2025. ©Yonatan Sindel_Flash90

Smotrich declarou em uma publicação na plataforma X que a expansão permitirá levar postos avançados ilegais, segundo o direito internacional, para áreas além da Cisjordânia ocupada, incluindo regiões do Negev e da Galileia. A declaração foi feita após a decisão do gabinete israelense de aprovar 13 novos assentamentos na região central da Cisjordânia ocupada.


Os novos assentamentos serão instalados em áreas consideradas estratégicas pelo governo israelense, incluindo corredores próximos à Rota 60, principal eixo norte-sul que conecta cidades palestinas como Nablus, Ramallah e Belém, além de áreas próximas ao Vale do Jordão.


Autoridades palestinas afirmaram que o avanço das colônias israelenses amplia a fragmentação territorial da Cisjordânia ocupada e separa Jerusalém Oriental ocupada do restante do território palestino. A região de Jerusalém Oriental é reivindicada pelos palestinos como capital de um futuro Estado palestino.


Desde 2022, quando Benjamin Netanyahu formou um governo composto por ministros ligados ao movimento de colonização, a expansão dos assentamentos passou a receber novos níveis de financiamento estatal, de acordo com o Fórum Palestino para Estudos Israelenses (MADAR).


Os dados citados pelo MADAR indicam que entre 2012 e 2022 foram registrados em média oito novos postos avançados por ano. Em 2023, esse número chegou a 32 postos avançados. Em 2024, foram estabelecidos 62 novos postos avançados com apoio de 75 milhões de shekels, cerca de US$ 20 milhões, em recursos governamentais. Em 2025, a expansão alcançou 86 novos postos avançados na Cisjordânia ocupada.


Estima-se que cerca de 500 mil colonos israelenses vivam em assentamentos na Cisjordânia ocupada e aproximadamente 250 mil colonos estejam em Jerusalém Oriental ocupada. Esses assentamentos são considerados ilegais pelo direito internacional.


A expansão territorial ocorreu junto ao aumento dos ataques contra comunidades palestinas. Uma investigação das Nações Unidas registrou aumento de 130% nos ataques de colonos israelenses contra aldeias palestinas e áreas agrícolas da Cisjordânia ocupada desde 2023.


Na sexta-feira, colonos destruíram a principal linha de transmissão de energia elétrica da aldeia de al-Maniya, interrompendo o fornecimento de eletricidade para a comunidade. No mesmo período, colonos vandalizaram estufas próximas a Tulkarem, destruindo redes de proteção e estruturas de famílias que dependem dessas atividades.


No nordeste de Jerusalém, colonos assumiram o controle da nascente de Ein Rawabi, utilizada por dezenas de famílias beduínas para fornecer água a cerca de 1.300 ovelhas.


Na aldeia de Jalud, palestinos também foram expulsos de suas casas durante o mesmo período. Os episódios ocorreram junto a ações de destruição de infraestrutura e pressão sobre comunidades palestinas na Cisjordânia ocupada.


A Comissão de Colonização e Resistência ao Muro (CWRC) registrou 1.659 ataques realizados por forças israelenses e colonos na Cisjordânia ocupada apenas em maio. Segundo o levantamento, colonos foram responsáveis diretamente por 551 desses incidentes.


Os ataques se concentraram nas regiões de Ramallah, Nablus e Hebron e resultaram na destruição, arrancamento ou queima de 7.222 árvores, incluindo mais de 3.300 oliveiras, que representam uma fonte de renda para famílias palestinas.


No mesmo mês, o Estado israelense realizou 70 operações de demolição de casas palestinas, destruindo 155 estruturas na Cisjordânia ocupada e em Jerusalém. A província de Jerusalém registrou o maior número de demolições, com 50 estruturas destruídas em maio.


Desde 8 de outubro de 2023, período iniciado após o começo do genocídio em Gaza, a violência de forças israelenses e colonos na Cisjordânia ocupada resultou na morte de 1.175 palestinos e deixou 12.919 feridos. No mesmo intervalo, cerca de 24 mil palestinos foram presos e 33 mil foram deslocados de suas casas.

apoie a ampliação do nosso trabalho

Valoriza o que estamos fazendo? Considere apoiar a ampliação do nosso trabalho com uma contribuição.

Frequência

1 vez

Mensal

Anual

Valor

R$ 10

R$ 20

R$ 30

R$ 40

R$ 50

R$ 100

R$ 200

Outro

editora
clandestino

Ao adquirir um de nossos arquivos, você contribui para a expansão de nosso trabalho.

MAIS VENDIDOS

bottom of page