Trump afirma ter intervido para anular cartão vermelho em escândalo que se tornou histórico
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou nesta segunda-feira (6) que telefonou ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, para solicitar a “revisão” do cartão vermelho aplicado ao atacante estadunidense Folarin Balogun na partida contra a Bósnia e Herzegovina, em 1º de julho. A entidade reverteu a expulsão no domingo (5), aplicando um período probatório de um ano com base no Artigo 27 do Código Disciplinar - a chamada “Regra Cristiano Ronaldo” - e gerou indignação global e acusações de interferência política. A decisão liberou o jogador para as oitavas de final contra a Bélgica na noite desta segunda-feira e motivou protestos formais de outras seleções, além de críticas de ex-dirigentes e da própria UEFA.

A confirmação de Trump ocorreu em declarações no Salão Oval. “Eu sou uma pessoa que adora esportes, fui um bom atleta e entendo muito bem de esportes, muito bem mesmo. Aquilo não foi falta. Nem sequer foi uma infração; foram dois caras correndo a toda velocidade que acabaram se chocando”, afirmou. Em seguida, admitiu: “Sim, pedi uma revisão à Fifa. Falei com um homem muito respeitado, cujo nível de respeito, aliás, aumentou dez vezes”. Infantino divulgou uma nota própria na qual insistiu que “os órgãos judiciais da FIFA são independentes. Eles operam de forma autônoma. Eu leio as decisões do Comitê Disciplinar da FIFA quando são divulgadas. Às vezes, fico surpreso com elas. Às vezes, concordo com elas e, às vezes, discordo. O que sempre faço, no entanto, é respeitar essas decisões”.
Trump também mirou o árbitro brasileiro Rafael Claus, que aplicou o cartão vermelho, classificando-o como “um pouco suspeito, se você verificar o passado dele” e acrescentando: “É muito suspeito. Se quiser, posso lhe contar o passado”. O Politico reportou que Andrew Giuliani, diretor-executivo da Força-Tarefa da Copa do Mundo da Fifa na Casa Branca, o secretário de Comércio, Howard Lutnick, e representantes da Federação de Futebol dos EUA dedicaram quatro dias a uma operação de lobby para reverter a punição.
O capitão da seleção estadunidense, Tim Ream, comemorou a decisão em entrevista ao programa Good Morning America: “Ele está animado por poder realmente contribuir em campo e não ser apenas um torcedor. Ele está radiante desde que todos nós soubemos da notícia”.
A reviravolta provocou reações em cadeia. A França recorreu do cartão amarelo aplicado a Michael Olise nas oitavas de final contra o Paraguai. O técnico da Inglaterra, Thomas Tuchel, sugeriu, entre a ironia e a provocação, que Trump poderia ajudar a anular a suspensão de Jarell Quansah e questionou: “Onde isso começa e onde termina agora?”. Stäle Solbakken, cuja seleção da Noruega havia eliminado o Brasil, resumiu: “uma decisão péssima, péssima, péssima, péssima, péssima”.
A Real Associação Belga de Futebol (RBFA) recorreu da elegibilidade de Balogun minutos após o anúncio do domingo. Em comunicado, declarou que “a RBFA ainda não recebeu nenhuma decisão ou explicação da FIFA sobre este assunto” e que “está profundamente triste com o rumo dos acontecimentos e continuará a lutar nas próximas horas, dias e meses em defesa dos princípios fundamentais da ética, da competição leal e dos interesses do futebol como um todo”.
Sepp Blatter, ex-presidente da Fifa afastado desde 2015 por escândalos de corrupção, manifestou-se no X: “Cartões vermelhos não são anulados por telefonemas políticos. São anulados por regras, provas e órgãos independentes. Se um presidente dos EUA intervém junto ao presidente da FIFA - e um jogador é subitamente inocentado antes de uma partida eliminatória da Copa do Mundo - a pergunta inevitável é: Quo vadis, FIFA?”. A UEFA, por meio de nota, afirmou que a reversão “cruzou uma linha vermelha” e lembrou que “a suspensão automática mínima de um jogo após um cartão vermelho não é uma opção discricionária e não requer a decisão de um órgão competente para ser implementada”.
O episódio remonta a 1º de julho, quando, aos 30 minutos do segundo tempo da partida válida pelos 32 avos de final, Balogun atingiu o tornozelo de Tarik Muharemovic. Após revisão do VAR, Claus expulsou o atacante. A avaliação predominante é de que o contato foi involuntário, mas o cartão vermelho direto foi justificado pelo potencial de lesão grave. A sanção acarretava suspensão automática para o jogo seguinte. Trump reagiu: “É muito injusto. [Balogun] não fez nada de errado, e ele é o nosso melhor jogador, ou um dos nossos melhores jogadores, um jogador muito importante. Uma coisa é penalizar alguém pelo jogo, mas como penalizá-lo por um jogo que ainda não foi disputado?”.
Balogun possui cidadania estadunidense e britânica; nasceu em Nova York e foi criado em Londres, beneficiando-se da lei de cidadania por nascimento que o presidente Trump tentou, sem sucesso, revogar. A reportagem original é de Yasmine El-Sabawi, publicada pelo Middle East Eye em 6 de julho de 2026.












































