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ONU pede o fim dos ataques a profissionais da mídia

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos declarou em 1º de maio de 2026 que o Líbano concentra o maior risco para jornalistas neste ano. A agência registrou pelo menos 14 profissionais mortos desde janeiro e cerca de 300 assassinados em Gaza desde outubro de 2023. As declarações antecedem o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, em 3 de maio.


Jornalista assassinado na Faixa de Gaza - arquivo
Jornalista assassinado na Faixa de Gaza - arquivo

O alto comissário Volker Türk afirmou que a escalada de violência contra a imprensa ocorre em diferentes regiões e inclui bombardeios, sequestros, prisões e demissões. “Quando os ataques à mídia são normalizados, a própria liberdade começa a se deteriorar e, com ela, os alicerces da paz, da segurança e do desenvolvimento sustentável”, declarou. Segundo o órgão, apenas cerca de um décimo dos assassinatos de jornalistas nas últimas duas décadas resultou em responsabilização completa.


A ofensiva israelense em Gaza, no contexto do genocídio contra a população palestina desde 7 de outubro de 2023, foi descrita como um ambiente letal para profissionais da mídia. O escritório do Alto Comissariado verificou a morte de quase 300 jornalistas no território, além de um número não especificado de feridos. Türk afirmou que “a guerra de Israel em Gaza tornou-se uma armadilha mortal para a imprensa”, indicando que a cobertura de conflitos armados concentra o maior nível de risco.


Em 2026, o Líbano aparece como o país com maior número de ameaças diretas a jornalistas, segundo dados da ONU. Em cenários como o Sudão, repórteres locais permanecem como principais responsáveis pela cobertura, enfrentando violência, fome e colapso estrutural enquanto mantêm a atividade. A ONU registra que, em muitos casos, profissionais estrangeiros não atuam nessas zonas, o que amplia a exposição de trabalhadores locais.


O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que há aumento no número de jornalistas mortos em zonas de guerra e declarou que muitos são “alvos deliberados”. Ele afirmou que, embora exista a expressão de que a verdade é a primeira vítima da guerra, “com demasiada frequência, as primeiras vítimas são os jornalistas que arriscam tudo para reportar essa verdade”. A declaração associa a repressão à imprensa à atuação de governos e estruturas de poder que buscam evitar escrutínio público.

O relatório também aponta pressão estrutural sobre a liberdade de imprensa fora dos cenários de guerra. Leis de difamação, desinformação, cibercrime e terrorismo são utilizadas para proteger autoridades e punir jornalistas, enquanto processos judiciais são empregados como instrumento de intimidação. A ONU estima que cerca de 330 profissionais da mídia estejam detidos no mundo, além de aproximadamente 500 jornalistas cidadãos e blogueiros de direitos humanos.


A repressão transnacional foi citada em ataques contra jornalistas iranianos fora do país, além de casos registrados no México, onde reportagens sobre corrupção, danos ambientais e crime organizado expõem profissionais e suas famílias. Türk declarou preocupação com o uso de vigilância e perseguição além das fronteiras nacionais.


O ambiente digital também aparece como vetor de ataque. A ONU registrou que três quartos das mulheres jornalistas sofreram abusos online, incluindo campanhas de difamação e ameaças de violência sexual. Segundo o Alto Comissariado, esse cenário cria condições para a disseminação de desinformação ao pressionar veículos a ocultar fatos e evitar determinados temas.


Além da violência direta, mecanismos como bloqueios de internet, restrição de acesso a informações e apagões de notícias foram identificados como instrumentos de silenciamento. Türk a

firmou que, em alguns casos, há articulação entre interesses políticos, corporativos e midiáticos, com impacto sobre estruturas democráticas e aumento da polarização social.


A ONU também registrou pressão econômica sobre o setor de mídia, com cortes de financiamento e concentração empresarial levando ao fechamento de veículos locais em quase um terço dos países analisados. O cenário reduz a diversidade informativa e amplia a dependência de grandes conglomerados.


Diante desse quadro, o Alto Comissariado solicitou que governos encerrem a perseguição à imprensa, revoguem leis que restringem a atividade jornalística e adotem padrões internacionais de direitos humanos. Também foi feito apelo para que autoridades investiguem ataques e garantam responsabilização, além de exigir que empresas de tecnologia atuem contra abusos e desinformação em plataformas digitais.

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