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Organizações internacionais denunciam à ONU massacre no Rio e expõem articulação entre violência estatal e interesses políticos

O Conselho de Direitos Humanos da ONU recebeu em 8 de abril de 2026 uma denúncia formal sobre violência estatal no Brasil. O documento foi apresentado pela Associação Americana de Juristas e pelo Mouvement contre le racisme et pour l’amitié entre les peuples. O texto vincula a Operação Contenção, realizada em 28 de outubro de 2025 no Rio de Janeiro, a um padrão estrutural de racismo e repressão. A ação policial resultou em pelo menos 116 mortes, segundo as entidades, enquanto dados oficiais registram 122 ocorrências. A denúncia também inclui episódios de repressão e remoções forçadas na Favela do Moinho, em São Paulo.


MPF investiga se verba federal financiou operacao com mais de 120 mortes no Rio de Janeiro
MPF investiga se verba federal financiou operacao com mais de 120 mortes no Rio de Janeiro

O relatório entregue ao Conselho de Direitos Humanos descreve a Operação Contenção, conduzida nos Complexos do Alemão e da Penha, como um marco da intensificação da violência estatal em territórios periféricos. Segundo o documento, a ação policial realizada em 28 de outubro de 2025 resultou em dezenas de mortes em circunstâncias que apresentam indícios de execuções sumárias, tortura e outras formas de violência. As entidades relatam que parte dos corpos foi retirada por familiares antes de procedimentos oficiais, o que, segundo o texto, levanta suspeitas sobre possíveis tentativas de ocultação de provas.


As organizações responsáveis pela denúncia afirmam que o episódio não pode ser tratado como um caso isolado, mas como expressão de uma estrutura que combina racismo institucional, práticas de necropolítica e interesses econômicos e eleitorais. O documento sustenta que a violência policial letal no Brasil opera como instrumento de gestão social, atingindo de forma sistemática a população negra e periférica. Segundo o texto, a vida dessa população não pode continuar sendo utilizada como moeda de troca em disputas políticas e estratégias econômicas.



O relatório também registra declarações públicas de autoridades que classificaram a operação como bem-sucedida. Para as entidades, esse tipo de posicionamento institucional contribui para a normalização da violência e reforça mecanismos de impunidade. O documento associa diretamente a operação ao contexto político de 2025, marcado por disputas eleitorais e reconfiguração de alianças, indicando que ações de segurança pública foram mobilizadas como ferramenta discursiva e operacional.


Segundo o texto, lideranças políticas de direita utilizaram a operação para sustentar narrativas de endurecimento penal e para atribuir a decisões judiciais a responsabilidade por mortes decorrentes de ações policiais. O documento aponta ainda a existência de articulações entre governadores para reforçar esse discurso após a operação, consolidando uma agenda comum baseada na expansão de políticas repressivas.


A denúncia apresentada à ONU também analisa a atuação estatal a partir de dois eixos simultâneos: a ausência de políticas públicas estruturais e a intensificação de ações repressivas. Essa combinação é definida no relatório como prática de necropolítica, conceito que descreve a capacidade do Estado de determinar quais grupos sociais terão acesso à proteção e quais estarão expostos à morte.


O texto amplia a análise para além do Rio de Janeiro e inclui o caso da Favela do Moinho, em São Paulo, como exemplo de atuação estatal orientada por interesses econômicos. Segundo o documento, processos de remoção de moradores foram conduzidos sob justificativa de reestruturação urbana, mas beneficiaram projetos ligados à valorização imobiliária. As entidades relatam que moradores enfrentaram demolições, pressão para desocupação e descumprimento de acordos de compensação.


O relatório também registra episódios de repressão a lideranças comunitárias na região, incluindo prisões consideradas arbitrárias pelas organizações. Essas ações são apresentadas como parte de um padrão mais amplo de controle territorial e disciplinamento social em áreas periféricas.


Diante desse cenário, as entidades solicitam ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos o acompanhamento contínuo da situação no Brasil. O documento pede atenção específica a violações relacionadas a racismo estrutural, violência policial e restrições de direitos civis.


Entre as recomendações apresentadas estão a atuação de relatores especiais e grupos de trabalho da ONU com foco em discriminação racial, violência estatal e detenções arbitrárias. O relatório também solicita a realização de investigações independentes sobre mortes causadas por agentes do Estado, com responsabilização dos envolvidos em violações documentadas.

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