PM do Rio desvia armas apreendidas e MP expõe rede de venda para milícia na Baixada
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Três policiais militares foram presos em 7 de abril de 2026 no Rio de Janeiro por desvio de armas, drogas e cargas roubadas. A operação foi conduzida pela Coordenadoria de Segurança e Inteligência do Ministério Público do Rio de Janeiro e pela Corregedoria da Polícia Militar. Os sargentos Ricardo da Silva Ferreira, Raphael Nascimento Ribeiro e Thiago Corrêa da Costa foram denunciados por associação criminosa e peculato. As investigações apontam ligação direta com uma milícia atuante em Anchieta, na Zona Norte, e na Baixada Fluminense. Mandados de prisão e busca foram expedidos pela Auditoria da Justiça Militar.

A ação é resultado de um desdobramento de investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), que identificou o sargento Ricardo da Silva Ferreira como operador central na revenda de armamentos desviados de operações policiais. Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), o policial atuava como intermediário na entrega de armas apreendidas a integrantes da milícia, consolidando um fluxo sistemático de abastecimento ilegal com material originalmente sob custódia do Estado.
A denúncia formal apresentada pelo MPRJ detalha que o sargento Thiago Corrêa da Costa, ao invés de encaminhar armamentos apreendidos às autoridades competentes, entregava regularmente esse material a Ferreira, que assumia a função de redistribuição e comercialização. O esquema, segundo os investigadores, operava com continuidade e organização, indicando prática reiterada e não episódios isolados.
Além do tráfico de armas, a apuração reuniu indícios de envolvimento dos acusados em outras atividades ilícitas. O Ministério Público afirma ter identificado uma negociação entre Ferreira e Raphael Nascimento Ribeiro para a venda de mais de 100 quilos de maconha, além do planejamento conjunto para obtenção de lucro com uma carga de refrigerantes roubados. Esses elementos reforçam a caracterização de associação criminosa estruturada, com diversificação de fontes de renda ilícita.
A investigação conecta diretamente agentes do aparato estatal a estruturas paramilitares que historicamente operam em territórios periféricos do Rio de Janeiro, particularmente na Baixada Fluminense e na Zona Norte. A atuação dessas milícias, frequentemente compostas por agentes de segurança ou ex-agentes, baseia-se no controle territorial, exploração econômica ilegal e uso sistemático da violência.
Os mandados judiciais foram expedidos pela Auditoria da Justiça Militar, instância responsável por julgar crimes cometidos por policiais militares. A operação incluiu também buscas e apreensões destinadas à coleta de provas adicionais, como registros de comunicação, documentos e possíveis valores obtidos com as atividades ilegais.
O caso se insere em um histórico mais amplo de denúncias envolvendo a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ), frequentemente acusada de violações, desvios de conduta e relações com grupos armados ilegais. Investigações anteriores já haviam apontado a existência de redes internas que facilitam o desvio de armamentos e o enfraquecimento dos mecanismos de controle institucional.
As prisões ocorreram no contexto de intensificação de investigações sobre milícias na capital fluminense e regiões metropolitanas, onde essas organizações expandiram sua atuação nas últimas décadas, consolidando poder econômico e político em diversas áreas urbanas.



































