top of page
  • LOGO CLD_00000

Polícia Federal recusa proposta de delação premiada de Vorcaro

A Polícia Federal recusou apoiar o acordo de delação premiada negociado com o banqueiro Daniel Vorcaro, investigado por fraudes contra o Sistema Financeiro Nacional. A decisão foi comunicada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, relator do inquérito ligado às operações contra o Banco Master. O caso envolve acusações de emissão de títulos financeiros sem cobertura e movimentações bilionárias investigadas desde 2024 por órgãos federais.


©PT
©PT

A informação foi publicada pela Agência Brasil em 21 de maio de 2026. Segundo a reportagem assinada pelos jornalistas Alex Rodrigues e André Richter, investigadores da Polícia Federal consideraram inconsistentes as informações apresentadas por Vorcaro durante as negociações de colaboração premiada conduzidas com participação de seus advogados.


De acordo com fontes da corporação citadas pela Agência Brasil, os relatos fornecidos pelo dono do Banco Master não corresponderam às provas e aos indícios reunidos pela investigação aberta a pedido do Ministério Público Federal. O inquérito apura emissão de títulos de crédito sem lastro financeiro e possíveis fraudes contra o Sistema Financeiro Nacional envolvendo operações do conglomerado controlado por Vorcaro.


A Procuradoria-Geral da República mantém análise própria sobre a proposta de colaboração apresentada pela defesa do banqueiro. A negativa da Polícia Federal não encerra as negociações e não impede nova tentativa de acordo caso o investigado apresente informações consideradas relevantes para os investigadores e para a PGR.


Daniel Vorcaro, de 42 anos, foi preso preventivamente em 18 de novembro de 2025 durante a primeira fase da Operação Compliance Zero. A operação da Polícia Federal investigou esquemas financeiros ligados ao Banco Master, instituição liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025 após avanço das investigações sobre emissão de ativos sem cobertura.


Vorcaro permaneceu dez dias preso até obter liberdade por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Em 4 de março de 2026, ele voltou a ser detido durante a terceira fase da operação conduzida pela Polícia Federal. A nova etapa da investigação ampliou apurações sobre circulação de títulos financeiros e possíveis mecanismos usados para ocultar rombos patrimoniais dentro do conglomerado financeiro.


Segundo a Agência Brasil, em 19 de março deste ano Vorcaro passou a ocupar uma sala especial na Superintendência da Polícia Federal em Brasília como parte das negociações envolvendo a possível delação premiada. Com o enfraquecimento das tratativas após a rejeição da proposta pelos investigadores, o banqueiro foi transferido nesta semana para uma cela da superintendência.


A reportagem informa que existe possibilidade de retorno do banqueiro ao sistema penitenciário federal. Nesse caso, Vorcaro poderá ser encaminhado novamente para unidade de segurança máxima submetida a regras de isolamento e controle rígido de comunicação.


O processo permanece sob relatoria do ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal. Pela legislação brasileira sobre organizações criminosas, o magistrado não participa das negociações entre defesa, Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República, cabendo ao ministro apenas homologar ou rejeitar eventual acordo firmado entre as partes.


A Lei de Organização Criminosa, identificada na reportagem como Lei 12.580 de 2013, estabelece que benefícios concedidos ao colaborador dependem da homologação judicial. Entre as medidas previstas em acordos dessa natureza estão redução de pena, flexibilização do regime prisional e obrigações de ressarcimento financeiro aos cofres públicos e às vítimas dos crimes investigados.


A eventual homologação também obrigaria Vorcaro a apresentar informações completas sobre as operações financeiras investigadas, além da devolução de recursos obtidos por meio das fraudes atribuídas ao Banco Master. A investigação conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal envolve denúncias de movimentações bilionárias e possíveis impactos sobre o sistema bancário brasileiro.


O caso ganhou dimensão política após revelações envolvendo integrantes da extrema direita brasileira e executivos do conglomerado financeiro. Em 19 de maio de 2026, o senador Flávio Bolsonaro confirmou reunião com Daniel Vorcaro após a prisão do banqueiro. A informação foi divulgada pela Reuters e repercutida por veículos nacionais após denúncias relacionadas a pedidos de financiamento para produção de obra audiovisual sobre Jair Bolsonaro.


A crise envolvendo o Banco Master também expôs relações entre instituições financeiras privadas, autoridades reguladoras e setores políticos ligados ao mercado financeiro brasileiro. A liquidação do banco pelo Banco Central ocorreu em meio ao aumento da pressão institucional para conter operações de risco associadas à emissão de ativos sem garantias suficientes.


O Banco Central afirmou anteriormente que operações do conglomerado haviam chamado atenção da autoridade monetária antes da intervenção federal. Em audiência no Senado em 19 de maio de 2026, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, declarou que movimentações financeiras ligadas ao Master motivaram monitoramento da instituição reguladora antes da liquidação extrajudicial do banco.

apoie a ampliação do nosso trabalho

Valoriza o que estamos fazendo? Considere apoiar a ampliação do nosso trabalho com uma contribuição.

Frequência

1 vez

Mensal

Anual

Valor

R$ 10

R$ 20

R$ 30

R$ 40

R$ 50

R$ 100

R$ 200

Outro

editora
clandestino

Ao adquirir um de nossos arquivos, você contribui para a expansão de nosso trabalho.

MAIS VENDIDOS

bottom of page