RD Congo já tem mil casos de ebola, que ameaça 3 milhões de crianças
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Milhares de crianças estão sob risco direto na República Democrática do Congo enquanto o surto de ebola -ultrapassa mil casos confirmados. O Fundo das Nações Unidas para a Infância afirma que o avanço da doença ocorre em meio ao colapso de serviços básicos e limitações estruturais no sistema de saúde. Uganda já registra casos associados à disseminação transfronteiriça do vírus. A Organização Mundial da Saúde coordena ações com governos locais e o Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças.

Com mais de mil casos confirmados de ebola na República Democrática do Congo, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, informou em 23 de junho de 2026 que cerca de 3 milhões de crianças e adolescentes com até 18 anos estão sob risco direto de infecção e de interrupção de serviços essenciais. O balanço divulgado aponta que menores representam cerca de 15% dos casos confirmados e mais de 25% das mortes registradas, além de apresentarem taxa de mortalidade quase duas vezes superior à dos adultos.
Na província de Ituri, epicentro do surto, dados indicam que mais da metade das crianças com menos de cinco anos já apresentavam quadro de desnutrição crônica antes da disseminação do vírus, além de baixa cobertura vacinal. As condições de saúde pré-existentes se somam a fatores que dificultam o diagnóstico, já que os primeiros sintomas do ebola se confundem com doenças como a malária, o que atrasa a identificação de casos e a resposta médica.
O Unicef informou que 135 crianças órfãs recebem acompanhamento psicossocial e encaminhamento para serviços de proteção social. A diretora executiva da agência, Catherine Russell, afirmou que crianças enfrentam a perda de familiares em um contexto de circulação de boatos e desinformação online, o que interfere na resposta comunitária ao surto.
A crise já alcançou o país vizinho, Uganda, que confirmou 20 casos e duas mortes relacionadas ao vírus. Entre os registros, uma criança testou positivo e outras 19 pessoas permanecem em quarentena, segundo os dados divulgados pelas autoridades sanitárias.
As operações de resposta incluem controle de infecções, rastreamento de contatos, sepultamentos seguros e ações de engajamento comunitário, além da manutenção emergencial de serviços de saúde, nutrição, abastecimento de água e educação. A coordenação envolve governos da República Democrática do Congo e de Uganda, a Organização Mundial da Saúde e o Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças.
Para sustentar essas ações pelos próximos seis meses, o Unicef anunciou a necessidade de US$ 70,7 milhões, dos quais US$ 20 milhões ainda não foram financiados. A agência declarou que busca apoio internacional para garantir acesso humanitário contínuo às áreas isoladas e manter operações de resposta ao surto em andamento.












































