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  • Declaração do Hezbollah em resposta às sanções dos EUA: uma tentativa de intimidar o povo libanês livre

    O Hezbollah afirmou na quinta-feira que as sanções impostas pelos Departamentos de Estado e do Tesouro estadunidenses contra parlamentares libaneses, oficiais do Exército Libanês e da Segurança Geral representam uma tentativa de intimidar o povo libanês e reforçar a agressão sionista contra o Líbano. O movimento declarou que as medidas buscam pressionar o país a aceitar projetos de desarmamento da Resistência e submissão política alinhados aos interesses da entidade sionista e de Washington. A organização também acusou os Estados Unidos de utilizar sanções contra instituições de segurança libanesas para impor tutela sobre o Estado libanês antes de reuniões realizadas no Pentágono. Consequências dos ataques aéreos israelenses na região de Bekaa, no Líbano, onde pelo menos 41 pessoas foram mortas. | Foto: Adri Salido/Getty Images Em comunicado divulgado na quinta-feira, o Hezbollah declarou que as sanções impostas contra deputados eleitos, dirigentes do Hezbollah e do Movimento Amal, além de integrantes das forças de segurança do Líbano, fazem parte de uma operação de pressão conduzida pela administração estadunidense para sustentar a ofensiva política e militar da entidade sionista contra o país. Segundo o movimento, Washington tenta compensar no campo diplomático aquilo que Tel Aviv não conseguiu alcançar por meio dos ataques e operações militares conduzidas contra o território libanês. “A acusação feita pela administração americana contra nossos parlamentares e funcionários é a de que eles rejeitam o desarmamento da Resistência e o confronto com os projetos de rendição pelos quais a administração americana busca arrastar nosso país em favor da entidade sionista”, afirmou o Hezbollah no comunicado. O texto acrescenta que a acusação “se aplica à maioria das pessoas que permanecem comprometidas com a Resistência e rejeitam a rendição”. O movimento declarou ainda que as sanções não produzirão mudança em sua atuação política e institucional. “Essas sanções são uma medalha de honra no peito daqueles que são alvo delas e uma confirmação adicional da correção de nossa escolha. Em sua essência, elas não valem a tinta com que foram escritas e não terão impacto prático algum sobre nossas escolhas ou sobre a continuidade do trabalho dos irmãos e funcionários a serviço de seu povo e na defesa de seus interesses e soberania”, afirmou a organização. O Hezbollah também vinculou as medidas impostas contra oficiais das instituições de segurança libanesas às reuniões realizadas no Pentágono entre representantes militares libaneses e autoridades estadunidenses. Segundo o comunicado, “o ataque a oficiais libaneses na véspera de reuniões no Pentágono trata-se de uma tentativa flagrante de intimidar nossas instituições oficiais de segurança e submeter o Estado às condições da tutela americana”. A organização afirmou que a decisão estadunidense também representa uma mensagem dirigida a setores políticos libaneses alinhados a Washington. “Essa decisão é dirigida àqueles que alegam amizade com os Estados Unidos, mas que buscam minar as instituições nacionais”, declarou o Hezbollah. As sanções anunciadas pelos Departamentos de Estado e do Tesouro dos Estados Unidos atingem integrantes de partidos e instituições ligados ao eixo político e militar da Resistência libanesa. Washington mantém há décadas mecanismos de pressão financeira e diplomática contra o Hezbollah, o Movimento Amal e setores das forças armadas e de segurança do Líbano sob a justificativa de combate ao financiamento de organizações classificadas pelos Estados Unidos como terroristas. No comunicado, o Hezbollah apelou para que as autoridades libanesas adotem posição de defesa institucional diante das medidas impostas por Washington. Segundo o movimento, o governo e as instituições do país devem “defender suas instituições constitucionais, de segurança e militares, a fim de preservar a soberania nacional e a dignidade do Líbano e do povo libanês”.

  • Jovens cubanos convocam marcha após acusação dos EUA contra Raúl Castro

    Organizações juvenis cubanas convocaram uma marcha em Havana após o Departamento de Justiça dos Estados Unidos apresentar acusação formal contra Raúl Castro. A mobilização ocorrerá diante da embaixada estadunidense enquanto Washington desloca o porta-aviões nuclear USS Nimitz e um grupo de ataque naval para o Caribe. O governo cubano classificou a acusação como parte de uma operação política voltada à escalada de pressão militar e diplomática contra a ilha. Convocação ocorre em um contexto de crescente hostilidade e ameaças de Washington contra Havana | Crédito: AFP A convocação foi anunciada pela União de Jovens Comunistas de Cuba e pela Federação Estudantil Universitária para a sexta-feira, 22 de maio, na Tribuna Anti-imperialista José Martí, localizada diante da representação diplomática dos Estados Unidos em Havana. O ato ocorre após o Departamento de Justiça estadunidense tornar pública, em 20 de maio, uma acusação contra Raúl Castro relacionada à derrubada de duas aeronaves da organização Hermanos al Rescate em 1996, episódio que deixou quatro mortos. Na época do incidente, Raúl Castro ocupava o cargo de ministro das Forças Armadas Revolucionárias de Cuba. A organização Hermanos al Rescate operava voos próximos ao espaço aéreo cubano alegando missões humanitárias voltadas a migrantes. O governo cubano sustentou que as aeronaves violavam repetidamente o espaço aéreo nacional e atuavam em coordenação com grupos anticastristas sediados na Flórida. O presidente cubano Miguel Díaz-Canel reagiu à acusação afirmando que Washington tenta “fabricar expedientes” para justificar uma agressão militar contra Cuba. Em declaração reproduzida pelo Brasil de Fato, Díaz-Canel classificou o processo como “uma ação política, sem nenhum embasamento jurídico”. A marcha será realizada em um local utilizado pelo governo cubano para manifestações contra operações militares, sanções econômicas e intervenções conduzidas pelos Estados Unidos. A Tribuna Anti-imperialista José Martí foi inaugurada em 2000 após disputas diplomáticas entre Havana e Washington envolvendo campanhas de propaganda e bloqueio econômico. José Almeida, integrante da coordenação da Federação Estudantil Universitária em Havana, declarou ao Brasil de Fato que a mobilização representa uma resposta aos “ataques do ponto de vista ideológico, político e comunicacional” conduzidos pelos Estados Unidos contra Cuba. Segundo Almeida, a manifestação busca defender “a soberania, a autodeterminação e o nosso direito de viver em paz como povo”. O dirigente estudantil afirmou ainda que as sanções impostas pelos Estados Unidos afetam o acesso da população cubana a alimentação, eletricidade e serviços de saúde. Desde a década de 1960, Cuba enfrenta bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto por Washington. As restrições foram ampliadas após o colapso da União Soviética e endurecidas novamente durante os governos estadunidenses de Donald Trump e Joe Biden. A convocação da marcha coincidiu com o anúncio do deslocamento do USS Nimitz para o Caribe sob coordenação do Comando Sul dos Estados Unidos. O grupo naval inclui a Ala Aérea Embarcada CVW-17, o destróier USS Gridley e o navio de abastecimento USNS Patuxent. O Comando Sul declarou em redes sociais que as forças enviadas ao Caribe representam “o epítome da preparação e da presença, do alcance e da letalidade sem igual”. A estrutura militar afirmou ainda que o USS Nimitz “garantiu estabilidade e defendeu a democracia desde o Estreito de Taiwan até o Golfo Pérsico”. O USS Nimitz é um dos maiores navios de guerra da marinha estadunidense e o porta-aviões nuclear mais antigo ainda em operação. Em 2025, a embarcação participou da chamada “Guerra dos Doze Dias”, operação militar conduzida pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã, prestando apoio logístico e aéreo aos bombardeios realizados na região. Após retornar à costa oeste estadunidense em dezembro de 2025, o porta-aviões iniciou em março de 2026 a operação Southern Seas 2026, coordenada pelo Comando Sul e pela Quarta Frota dos Estados Unidos. A missão prevê a circunavegação completa da América do Sul e a realização de exercícios militares conjuntos com forças armadas de países aliados da região. Segundo informações divulgadas pelo próprio Comando Sul, o grupo naval passou pelo Panamá antes de cruzar o Atlântico e realizar exercícios com a Marinha do Brasil em março de 2026 na costa do Rio de Janeiro. Após as operações no Atlântico Sul, o USS Nimitz entrou no Mar do Caribe. O deslocamento militar ocorre em meio ao aumento da presença naval estadunidense na América Latina e ao avanço de operações militares do Comando Sul na região. Desde o início dos anos 2000, Washington ampliou acordos militares, exercícios conjuntos e operações de vigilância marítima no Caribe sob justificativas ligadas ao combate ao narcotráfico, à migração e à segurança regional. Em Havana, autoridades cubanas interpretaram a acusação contra Raúl Castro e o envio do grupo naval como parte da mesma estratégia de pressão política conduzida pelos Estados Unidos contra governos considerados adversários de Washington na América Latina.

  • Lula anuncia ações para fortalecer culturas tradicionais e populares

    O governo federal anunciou em Aracruz, no Espírito Santo, novas medidas voltadas às culturas tradicionais e populares durante a abertura da 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra da Cultura, Margareth Menezes, assinaram decretos, portarias e programas voltados à reorganização institucional da política cultural desmontada após anos de cortes orçamentários e paralisação administrativa. O evento reuniu representantes de povos indígenas, quilombolas, coletivos culturais, grupos populares e agentes comunitários em meio à disputa sobre financiamento público da cultura no Brasil. Presidente Luiz Inácio Lula da Silva A cerimônia ocorreu na manhã de 21 de maio de 2026 no Sesc Formosa, em Aracruz, município localizado no litoral do Espírito Santo. Segundo a Agência Brasil, mais de 2 mil pessoas ocuuparam o auditório durante a abertura oficial da 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, retomada após intervalo de 12 anos sem realização do encontro nacional. Durante o evento, Lula e Margareth Menezes assinaram o decreto de reestruturação do Conselho Nacional de Política Cultural, órgão responsável pela participação social e formulação de diretrizes culturais no país. O governo federal também oficializou a criação da Política Nacional para as Culturas Tradicionais e Populares e publicou portarias regulamentando a Rede Nacional de Mestras e Mestres das Culturas Tradicionais e Populares e o Programa Festejos Populares do Brasil. No discurso diante de representantes culturais de todas as regiões do país, Lula afirmou que os Pontos de Cultura representam “16 mil pontos de luz pulsando nas periferias, favelas, assentamentos rurais, quilombos e territórios indígenas”. O presidente declarou ainda que “cada centavo investido na cultura retorna em identidade, autoestima e memória” e acrescentou que os investimentos também retornam “em oportunidade de trabalho e geração de renda”. A ministra Margareth Menezes anunciou a criação do comitê responsável pelo Plano Nacional de Culturas Indígenas. Segundo a ministra, o plano está sendo construído “coletivamente com as organizações indígenas” para garantir políticas voltadas aos povos que “mantêm a floresta em pé, que preservam os biomas e que combatem no dia a dia o desastre climático”. O evento ocorreu em território marcado pela presença histórica do povo Tupinikim e de comunidades tradicionais atingidas por disputas fundiárias envolvendo grandes empresas de monocultura e mineração instaladas no Espírito Santo desde o período da ditadura militar. Aracruz abriga áreas impactadas pela expansão da indústria de celulose e por conflitos relacionados à demarcação de terras indígenas. A abertura da Teia Nacional contou com apresentações dos grupos Guerreiros Tupinikim e Aguidavi do Jeje. O hino nacional foi interpretado pela cantora Luedji Luna com acompanhamento instrumental dos grupos presentes no palco. Bandas de congo da Barra do Riacho e de São Benedito de Itaparica também participaram da cerimônia. Segundo a Agência Brasil, o governo federal distribuiu placas de identificação para representantes de Pontos de Cultura presentes no evento. As demais placas serão encaminhadas posteriormente aos cerca de 16 mil Pontos de Cultura certificados em mais de 2,2 mil municípios brasileiros dentro da Política Nacional Cultura Viva. Criado há 22 anos, o Programa Cultura Viva foi transformado em política nacional em 2014. Os Pontos e Pontões de Cultura passaram a funcionar como instrumentos de financiamento e articulação de iniciativas culturais comunitárias em periferias urbanas, territórios indígenas, assentamentos rurais e comunidades quilombolas. Margareth Menezes afirmou que os projetos culturais permaneceram ativos “mesmo com a extinção do Ministério da Cultura e o desmonte das políticas culturais no governo passado”. A ministra declarou que “a Teia é a materialização do nosso compromisso com o potencial social e popular como elemento estruturante das políticas públicas”. O Ministério da Cultura informou que a programação da Teia Nacional inclui fóruns, debates e encontros voltados à formulação de políticas públicas para culturas comunitárias e populares. As atividades seguem até 24 de maio com participação de coletivos culturais, gestores públicos e organizações da sociedade civil. Além das medidas voltadas à cultura, Lula realizou a entrega de 89 unidades do programa MovCeus, equipamentos culturais itinerantes equipados com biblioteca, estúdio audiovisual, oficinas e estrutura para cinema ao ar livre. Segundo o governo federal, os veículos serão destinados a regiões sem acesso permanente a equipamentos culturais públicos. Durante a passagem por Aracruz, o governo federal também anunciou a entrega de 12 micro-ônibus do programa Agora Tem Especialistas – Caminhos da Saúde e de 11 vans vinculadas ao Programa Especial de Saúde do Rio Doce, ligado ao Ministério da Saúde.

  • Polícia Federal recusa proposta de delação premiada de Vorcaro

    A Polícia Federal recusou apoiar o acordo de delação premiada negociado com o banqueiro Daniel Vorcaro, investigado por fraudes contra o Sistema Financeiro Nacional. A decisão foi comunicada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, relator do inquérito ligado às operações contra o Banco Master. O caso envolve acusações de emissão de títulos financeiros sem cobertura e movimentações bilionárias investigadas desde 2024 por órgãos federais. ©PT A informação foi publicada pela Agência Brasil em 21 de maio de 2026. Segundo a reportagem assinada pelos jornalistas Alex Rodrigues e André Richter, investigadores da Polícia Federal consideraram inconsistentes as informações apresentadas por Vorcaro durante as negociações de colaboração premiada conduzidas com participação de seus advogados. De acordo com fontes da corporação citadas pela Agência Brasil, os relatos fornecidos pelo dono do Banco Master não corresponderam às provas e aos indícios reunidos pela investigação aberta a pedido do Ministério Público Federal. O inquérito apura emissão de títulos de crédito sem lastro financeiro e possíveis fraudes contra o Sistema Financeiro Nacional envolvendo operações do conglomerado controlado por Vorcaro. A Procuradoria-Geral da República mantém análise própria sobre a proposta de colaboração apresentada pela defesa do banqueiro. A negativa da Polícia Federal não encerra as negociações e não impede nova tentativa de acordo caso o investigado apresente informações consideradas relevantes para os investigadores e para a PGR. Daniel Vorcaro, de 42 anos, foi preso preventivamente em 18 de novembro de 2025 durante a primeira fase da Operação Compliance Zero. A operação da Polícia Federal investigou esquemas financeiros ligados ao Banco Master, instituição liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025 após avanço das investigações sobre emissão de ativos sem cobertura. Vorcaro permaneceu dez dias preso até obter liberdade por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Em 4 de março de 2026, ele voltou a ser detido durante a terceira fase da operação conduzida pela Polícia Federal. A nova etapa da investigação ampliou apurações sobre circulação de títulos financeiros e possíveis mecanismos usados para ocultar rombos patrimoniais dentro do conglomerado financeiro. Segundo a Agência Brasil, em 19 de março deste ano Vorcaro passou a ocupar uma sala especial na Superintendência da Polícia Federal em Brasília como parte das negociações envolvendo a possível delação premiada. Com o enfraquecimento das tratativas após a rejeição da proposta pelos investigadores, o banqueiro foi transferido nesta semana para uma cela da superintendência. A reportagem informa que existe possibilidade de retorno do banqueiro ao sistema penitenciário federal. Nesse caso, Vorcaro poderá ser encaminhado novamente para unidade de segurança máxima submetida a regras de isolamento e controle rígido de comunicação. O processo permanece sob relatoria do ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal. Pela legislação brasileira sobre organizações criminosas, o magistrado não participa das negociações entre defesa, Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República, cabendo ao ministro apenas homologar ou rejeitar eventual acordo firmado entre as partes. A Lei de Organização Criminosa, identificada na reportagem como Lei 12.580 de 2013, estabelece que benefícios concedidos ao colaborador dependem da homologação judicial. Entre as medidas previstas em acordos dessa natureza estão redução de pena, flexibilização do regime prisional e obrigações de ressarcimento financeiro aos cofres públicos e às vítimas dos crimes investigados. A eventual homologação também obrigaria Vorcaro a apresentar informações completas sobre as operações financeiras investigadas, além da devolução de recursos obtidos por meio das fraudes atribuídas ao Banco Master. A investigação conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal envolve denúncias de movimentações bilionárias e possíveis impactos sobre o sistema bancário brasileiro. O caso ganhou dimensão política após revelações envolvendo integrantes da extrema direita brasileira e executivos do conglomerado financeiro. Em 19 de maio de 2026, o senador Flávio Bolsonaro confirmou reunião com Daniel Vorcaro após a prisão do banqueiro. A informação foi divulgada pela Reuters e repercutida por veículos nacionais após denúncias relacionadas a pedidos de financiamento para produção de obra audiovisual sobre Jair Bolsonaro. A crise envolvendo o Banco Master também expôs relações entre instituições financeiras privadas, autoridades reguladoras e setores políticos ligados ao mercado financeiro brasileiro. A liquidação do banco pelo Banco Central ocorreu em meio ao aumento da pressão institucional para conter operações de risco associadas à emissão de ativos sem garantias suficientes. O Banco Central afirmou anteriormente que operações do conglomerado haviam chamado atenção da autoridade monetária antes da intervenção federal. Em audiência no Senado em 19 de maio de 2026, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, declarou que movimentações financeiras ligadas ao Master motivaram monitoramento da instituição reguladora antes da liquidação extrajudicial do banco.

  • A Palestina retira a candidatura de seu diplomata ao cargo de vice-presidente da Assembleia Geral da ONU

    A missão palestina na Organização das Nações Unidas retirou a candidatura de seu representante ao cargo de vice-presidente da Assembleia Geral da ONU após movimentações diplomáticas lideradas por aliados de Israel e dos Estados Unidos. A decisão ocorreu durante negociações internas do grupo Ásia-Pacífico, responsável pela indicação rotativa para postos da Assembleia Geral. O episódio expôs o isolamento imposto à representação palestina dentro das estruturas multilaterais controladas por potências estadunidenses e europeias. O Representante Permanente da Palestina nas Nações Unidas, Riyad Mansour, discursando na Assembleia Geral da ONU A candidatura palestina havia sido apresentada para um dos postos de vice-presidência da 79ª sessão da Assembleia Geral da ONU, prevista para iniciar em setembro de 2024. Diplomatas consultados por agências internacionais afirmaram que a retirada ocorreu após objeções de delegações alinhadas a Washington e Tel Aviv. O cargo integra a mesa diretora da Assembleia Geral, composta por um presidente e 21 vice-presidentes distribuídos entre blocos regionais. A representação palestina obteve, em maio de 2024, apoio majoritário da Assembleia Geral para ampliar sua participação dentro das Nações Unidas. Na votação realizada em 10 de maio, 143 países apoiaram a resolução que reconheceu novas prerrogativas diplomáticas para a Palestina, enquanto nove votaram contra e 25 se abstiveram. Estados Unidos e Israel lideraram a oposição à medida. A resolução aprovada autorizou a Palestina a ocupar assento entre os Estados-membros na Assembleia Geral, apresentar propostas e participar de comissões, embora sem direito a voto. O texto também reconheceu que o Estado da Palestina “está qualificado para adesão plena” à ONU, retomando o debate bloqueado no Conselho de Segurança pelas sucessivas intervenções estadunidenses. Em abril de 2024, os Estados Unidos utilizaram poder de veto no Conselho de Segurança para impedir a admissão plena da Palestina nas Nações Unidas. Doze membros votaram a favor da medida, enquanto Reino Unido e Suíça se abstiveram. Washington justificou a decisão alegando que o reconhecimento deveria ocorrer por meio de negociações diretas entre israelenses e palestinos, posição mantida pelo Departamento de Estado desde os Acordos de Oslo assinados em 1993. A retirada da candidatura palestina ocorreu em meio ao genocídio conduzido por Israel na Faixa de Gaza desde outubro de 2023. Dados do Ministério da Saúde de Gaza apontavam, até meados de 2024, mais de 36 mil palestinos mortos e dezenas de milhares de feridos após bombardeios israelenses apoiados política e militarmente pelos Estados Unidos. A ofensiva destruiu hospitais, escolas, universidades, campos de refugiados e redes de abastecimento de água e eletricidade. A missão palestina na ONU não divulgou comunicado detalhando os motivos da retirada. Diplomatas ouvidos pela agência Reuters afirmaram que a decisão buscou evitar confronto diplomático durante as negociações internas da Assembleia Geral. O jornal The Times of Israel informou que representantes israelenses atuaram junto a delegações regionais para bloquear a indicação palestina. O posto de vice-presidente da Assembleia Geral possui função protocolar e administrativa dentro das sessões plenárias da ONU. Os vice-presidentes substituem o presidente da Assembleia em reuniões e coordenam procedimentos internos do órgão. Apesar do caráter administrativo do cargo, a disputa tornou-se parte da ofensiva diplomática conduzida por Israel e pelos Estados Unidos contra qualquer ampliação do reconhecimento internacional da Palestina. A Palestina possui status de Estado observador não membro da ONU desde novembro de 2012, quando a Assembleia Geral aprovou resolução por 138 votos favoráveis. Estados Unidos, Israel, Canadá e outros aliados ocidentais votaram contra a medida. Desde então, governos palestinos ampliaram adesão a organismos internacionais e tratados multilaterais, incluindo o Tribunal Penal Internacional. O governo israelense mantém oposição à admissão plena da Palestina na ONU e a qualquer reconhecimento internacional fora de negociações bilaterais controladas por Tel Aviv e Washington. Autoridades israelenses afirmam que iniciativas palestinas em organismos multilaterais representam “medidas unilaterais”, enquanto o governo estadunidense continua utilizando mecanismos diplomáticos e militares para proteger Israel de sanções internacionais relacionadas ao genocídio em Gaza.

  • Soldados israelenses afirmam que saquear e destruir é sua missão no Líbano

    Militares israelenses disseram ao jornal israelense Haaretz que receberam ordens para destruir infraestrutura civil e saquear propriedades durante operações no sul do Líbano. Os relatos descrevem demolições de aldeias, incêndios em residências e apropriação de bens pessoais sob supervisão de oficiais das forças de ocupação israelenses. As declarações expõem métodos empregados por Tel Aviv em mais uma frente militar aberta paralelamente ao genocídio contra a população palestina em Gaza. Militares israelenses receberam ordens para destruir infraestrutura civil e saquear propriedades no sul do Líbano Os depoimentos foram publicados pelo Haaretz após entrevistas com soldados que participaram das operações terrestres iniciadas por Israel no território libanês. Segundo os militares, unidades israelenses destruíram casas, estabelecimentos comerciais e áreas agrícolas em localidades próximas à fronteira. Um dos soldados afirmou ao jornal que “a missão era entrar, demolir e sair”, enquanto outro relatou que comandantes autorizavam incêndios em residências depois das buscas. Os relatos apontam que a destruição não estava limitada a instalações militares do Hezbollah. Soldados disseram que bairros inteiros foram arrasados com explosivos e escavadeiras militares. Em algumas aldeias, imóveis civis permaneceram de pé apenas quando eram utilizados temporariamente pelas tropas israelenses. Após a retirada das unidades, as estruturas eram demolidas. O Haaretz informou que soldados descreveram episódios de saque de objetos pessoais. Entre os itens levados estavam joias, dinheiro em espécie, tapetes, aparelhos eletrônicos e documentos encontrados em casas abandonadas após os bombardeios israelenses. Um militar declarou que oficiais ignoravam os episódios e, em alguns casos, participavam das ações. Outro afirmou que parte dos objetos era enviada para Israel em veículos militares. As denúncias surgem após meses de escalada militar entre Israel e o Hezbollah ao longo da fronteira sul do Líbano. Desde outubro de 2023, ataques israelenses atingiram cidades e vilarejos libaneses em operações apresentadas pelo governo de Benjamin Netanyahu como ações contra posições do Hezbollah. O governo israelense afirma que a ofensiva busca afastar combatentes do grupo da região fronteiriça. Dados do Ministério da Saúde do Líbano indicam que milhares de pessoas foram mortas desde o início dos bombardeios israelenses. A Organização Internacional para as Migrações informou que centenas de milhares de libaneses deixaram suas casas devido aos ataques e às operações terrestres israelenses. Infraestruturas civis, incluindo estradas, sistemas elétricos e áreas agrícolas, sofreram destruição em diversas províncias do sul do país. Os relatos publicados pelo Haaretz também descrevem ordens para apagar sinais de presença civil nas áreas ocupadas. Um soldado afirmou que unidades receberam instruções para destruir fotografias de famílias, móveis e objetos domésticos “para deixar as aldeias inutilizáveis”. Outro declarou que soldados escreviam mensagens em paredes de residências antes da demolição dos imóveis. A publicação israelense informou que procurou o exército israelense para comentar as acusações. Em resposta, as forças israelenses disseram que casos de comportamento ilegal são investigados “de acordo com os protocolos militares”. O comunicado não respondeu diretamente às denúncias sobre destruição deliberada de propriedades civis e saques durante as operações no Líbano. As operações israelenses no território libanês ocorrem em meio ao apoio militar, financeiro e diplomático fornecido pelos Estados Unidos a Tel Aviv. Washington mantém envio de armamentos e munições para Israel enquanto o governo Netanyahu amplia ações militares simultaneamente em Gaza, Cisjordânia, Síria e Líbano. O governo estadunidense também bloqueou ou suavizou iniciativas em organismos internacionais que buscavam pressionar Israel por cessar-fogo ou responsabilização internacional. As acusações de destruição sistemática de infraestrutura civil no Líbano ampliam denúncias apresentadas por organizações de direitos humanos sobre métodos empregados pelas forças israelenses em operações regionais. Relatórios anteriores da Human Rights Watch e da Anistia Internacional já haviam documentado bombardeios contra áreas residenciais, uso de munições incendiárias e ataques contra infraestrutura civil libanesa em confrontos anteriores entre Israel e Hezbollah. Os depoimentos ao Haaretz foram publicados em um momento de aumento das tensões regionais envolvendo Israel, Hezbollah e Irã. Nas últimas semanas, ataques israelenses atingiram subúrbios ao sul de Beirute e cidades próximas à fronteira síria. O Hezbollah respondeu com lançamentos de foguetes e drones contra posições israelenses no norte da Palestina ocupada.

  • 'A educação nos ensina, mas a cultura nos faz revolucionários', diz Lula

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira, 21 de maio, que “a educação nos ensina, mas a cultura nos faz revolucionários” durante participação na 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, realizada em Aracruz, no Espírito Santo. O evento marcou a retomada da principal política de cultura comunitária do país após 12 anos sem realização nacional da Teia e ocorreu pela primeira vez fora de uma capital brasileira e dentro de território indígena com presença dos povos Tupiniquim e Guarani. Lula assinou decretos voltados à proteção das culturas tradicionais e anunciou expansão de investimentos públicos em cultura, após o desmonte institucional promovido durante o governo anterior com a extinção do Ministério da Cultura. “Uma das funções do Estado é abrir caminho para novos leitores.”, diz Lula.avif Durante discurso na abertura da atividade, Lula relacionou cultura, identidade nacional e organização popular diante da ofensiva neoliberal que atingiu políticas culturais brasileiras na última década. O presidente afirmou que a produção cultural brasileira constitui elemento de reconhecimento internacional do país e associou a permanência dos Pontos de Cultura à resistência das comunidades organizadas. “É uma alegria imensa ver de perto a força e a resistência dessa teia tecida a tantas mãos. Nós, brasileiras e brasileiros, somos admirados no mundo inteiro pela nossa cultura. Pela nossa capacidade de transformar a essência brasileira em música, literatura, teatro, dança, cinema, artes visuais”, declarou. “A cultura existe graças à resiliência de cada uma e cada um de vocês. Porque são vocês que levantam todo santo dia com um propósito: preservar e fortalecer a legítima identidade brasileira, rumo a um país mais desenvolvido, mais humanista, mais generoso, mais inclusivo e mais feliz”, afirmou Lula. O presidente também declarou que a cultura continuará sendo prioridade de seu governo e associou as políticas culturais à reconstrução institucional do Estado brasileiro após cortes orçamentários, paralisação de editais e encerramento de programas federais ocorridos entre 2019 e 2022. “E contará sempre com políticas públicas capazes de ajudá-la a exercer todo o seu potencial simbólico e econômico”, disse. A 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura começou em 19 de maio e prossegue até 24 de maio. O encontro reúne agentes culturais, representantes de povos tradicionais, coletivos culturais, mestres populares, gestores públicos e organizações comunitárias de todas as regiões do país sob o tema “Pontos de Cultura pela Justiça Climática”. A programação inclui debates, apresentações artísticas, oficinas, rodas de conversa, encontros setoriais, atividades de economia solidária e o 5º Fórum Nacional dos Pontos de Cultura. A política Cultura Viva foi criada em 2004 durante o primeiro mandato de Lula, com objetivo de reconhecer iniciativas culturais organizadas nas periferias urbanas, territórios indígenas, quilombos, assentamentos rurais e comunidades tradicionais. A iniciativa transformou-se em Política Nacional de Cultura Viva em 2014 por meio da Lei nº 13.018. Segundo o governo federal, a política inspirou programas semelhantes em 14 países latino-americanos e ibéricos, que passaram a integrar a rede IberCultura Viva a partir de 2014. O Ministério da Cultura informou que o Brasil possui atualmente 16.057 Pontos de Cultura e 681 Pontões certificados, totalizando 16.738 iniciativas reconhecidas oficialmente. No início de 2023, eram 4.329 iniciativas certificadas. O crescimento está vinculado à retomada de investimentos federais e à Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, que estabeleceu piso anual de R$ 400 milhões destinados ao fortalecimento da Cultura Viva em todo o território nacional. Durante a cerimônia, Lula assinou decreto que cria a Política Nacional para as Culturas Tradicionais e Populares. O texto estabelece medidas voltadas ao reconhecimento, preservação, valorização e proteção das manifestações culturais populares e tradicionais brasileiras. O governo federal afirmou que esta é a primeira política nacional voltada exclusivamente às culturas tradicionais e populares. O segundo decreto assinado pelo presidente reestrutura o Conselho Nacional de Política Cultural. O CNPC possui caráter consultivo, fiscalizador e deliberativo dentro da estrutura do Ministério da Cultura e funciona como instância de controle social das políticas culturais federais com composição paritária entre Estado e sociedade civil. A ministra da Cultura, Margareth Menezes, assinou duas portarias durante a cerimônia. A primeira regulamenta a Rede Nacional de Mestras e Mestres das Culturas Tradicionais e Populares. “Com isso, a sabedoria dos mestres e mestras finalmente ganha uma casa na rede do Estado”, afirmou a ministra. A segunda portaria regulamenta o programa Festejos Populares do Brasil, destinado ao financiamento de manifestações culturais presentes no calendário popular brasileiro, incluindo São João, Carnaval, Boi Bumbá e Folia de Reis. Margareth Menezes relacionou a retomada das políticas culturais à reorganização do Ministério da Cultura após sua extinção no governo anterior. “Em junho deste ano, a nossa política nacional Cultura Viva completa 22 anos, com cerca de 16 mil pontos e pontões de culturas cadastrados. Mesmo com a extinção do Ministério da Cultura e o desmonte das políticas culturais do governo passado, os pontos e pontões sempre mantiveram-se firmes, ativos e cheios de vida. A Teia é a materialização de um compromisso nosso com o potencial social e popular como elemento estruturante de nossas políticas públicas e do país que queremos”, declarou. Durante o evento, a primeira-dama Janja Lula da Silva fez pronunciamento relacionado ao combate ao feminicídio e à violência contra mulheres e adolescentes. O discurso ocorreu após convite feito por Margareth Menezes durante a solenidade. “Eu não acredito num país em que um grupo de meninos de 12, 13 anos comete um estupro coletivo. Isso eles só podem estar aprendendo nas telas dos celulares em que colocam a mulher nesse lugar de submissão e subjugação. Fiquem atentos. Principalmente a uma menina, a uma adolescente que chega e dá algum sinal. Viva a cultura. Cultura viva, mulheres vivas”, afirmou Janja. O Ministério da Cultura também anunciou ampliação da rede MovCEUs, estrutura itinerante vinculada ao programa Territórios da Cultura. Segundo o governo federal, serão incorporadas 89 novas unidades à rede nacional, sendo 65 financiadas pelo Novo PAC e 24 com recursos diretos do Ministério da Cultura entre 2025 e 2026. A rede possui atualmente 36 unidades entregues, que atenderam 123 municípios e mais de 500 localidades com investimentos superiores a R$ 17,5 milhões. O governo informou ainda que mais de 30 unidades adicionais estão previstas por meio de emendas parlamentares. Durante a Teia, o Ministério da Cultura iniciou a entrega de placas de reconhecimento institucional aos mais de 800 Pontos de Cultura presentes no encontro. O governo federal informou que todos os 16 mil Pontos de Cultura certificados receberão placas posteriormente. Antes da participação na Teia Nacional dos Pontos de Cultura, Lula participou em Aracruz da entrega de 12 micro-ônibus do programa Agora Tem Especialistas – Caminhos da Saúde e de 11 vans vinculadas ao Programa Especial de Saúde do Rio Doce, coordenado pelo Ministério da Saúde dentro do Novo Acordo do Rio Doce. Segundo o governo federal, os veículos serão utilizados no transporte de pacientes do Sistema Único de Saúde para consultas, exames e cirurgias eletivas. Os micro-ônibus foram destinados aos municípios de Águia Branca, Barra de São Francisco, Boa Esperança, Ecoporanga, Jaguaré, Mantenópolis, Pancas, Pinheiros, Ponto Belo, São Gabriel da Palha, São Mateus e Vila Pavão. As vans foram entregues aos municípios de Anchieta, Aracruz, Baixo Guandu, Colatina, Conceição da Barra, Fundão, Linhares, Marilândia, São Mateus, Serra e Sooretama. Segundo o Palácio do Planalto, os veículos possuem ar-condicionado e plataformas de acessibilidade e serão utilizados para deslocamento de pacientes entre municípios e centros de referência em saúde. Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

  • ONGs criticam o Conselho da Paz por "falhar" em cumprir as promessas de ajuda a Gaza

    O chamado “Conselho da Paz” criado pelo presidente estadunidense Donald Trump para administrar o cessar-fogo em Gaza enfrenta denúncias públicas de fracasso feitas por organizações humanitárias que atuam no enclave palestino. Save the Children US, Oxfam e Refugees International afirmaram em coletiva nas Nações Unidas, em Nova York, na quinta-feira, 21 de maio, que Israel continua bloqueando a maior parte da ajuda humanitária prometida no acordo de cessar-fogo firmado em outubro de 2025. As organizações acusam o governo israelense de violar o próprio plano de 20 pontos patrocinado por Washington, que previa entrada de assistência “sem interferência” na Faixa de Gaza. A denúncia foi apresentada durante conferência organizada na sede da ONU, onde representantes das entidades relataram que o Conselho da Paz ignorou reuniões, relatórios técnicos e alertas enviados por equipes que operam dentro de Gaza. A diretora-executiva da Save the Children US, Janti Soeripto, declarou que a situação humanitária segue em colapso seis meses após o início do cessar-fogo. “Seis meses depois, as crianças em Gaza ainda não estão na escola, estão desnutridas e não recebem tratamento para seus ferimentos. A rede elétrica e a infraestrutura de água ainda estão 90% inutilizáveis”, afirmou Soeripto. Ela acrescentou que a resolução aprovada pela ONU e o plano patrocinado por Trump exigiam assistência integral imediata, reconstrução de infraestrutura e ausência de bloqueios sobre ajuda humanitária. “Em todos os aspectos, isso não aconteceu”, disse. O texto do plano de 20 pontos utilizado como base política do Conselho da Paz estabelecia que a distribuição de ajuda na Faixa de Gaza ocorreria sem interferência de Israel ou do Hamas, sob coordenação das Nações Unidas, do Crescente Vermelho e de instituições internacionais. As organizações presentes na coletiva afirmaram que os termos do acordo permanecem no papel enquanto Israel mantém controle total sobre os pontos de entrada do enclave. Segundo as entidades humanitárias, ao menos 600 caminhões de ajuda deveriam entrar diariamente em Gaza desde o início do cessar-fogo. O volume autorizado por Israel permanece abaixo desse número. Na semana passada, o Escritório das Nações Unidas para Coordenação de Assuntos Humanitários informou que apenas um em cada dois caminhões vindos do Egito recebeu autorização israelense para descarregar suprimentos nas passagens controladas por Israel durante os primeiros 11 dias de maio. As restrições também atingem pacientes palestinos. As organizações afirmaram que apenas 700 palestinos foram evacuados para tratamento médico desde o início do cessar-fogo, apesar de aproximadamente 18 mil pessoas necessitarem de atendimento médico que não existe mais dentro de Gaza após meses de genocídio e destruição sistemática da infraestrutura civil palestina. Israel continua controlando quais palestinos podem sair de Gaza e quais podem retornar, incluindo aqueles transferidos ao Egito para tratamento médico. Jeremy Konyndyk, presidente da Refugees International e ex-integrante dos governos Barack Obama e Joe Biden, afirmou que o bloqueio da ajuda não envolve qualquer dificuldade operacional ou diplomática. “A obstrução precisa parar, e essa é uma das questões mais irritantes disso tudo. Não se trata de uma negociação complexa ou sofisticada”, declarou. “Outras partes do acordo, os elementos políticos e de segurança, são complexos. Mas não bloquear ajuda humanitária não é uma proposta complexa. Tudo o que precisam fazer é não bloquear ajuda humanitária.” O Ministério da Saúde de Gaza informou na quinta-feira que 883 palestinos foram mortos desde o início do cessar-fogo, vítimas de bombardeios israelenses ou disparos efetuados por soldados israelenses durante operações militares dentro do território palestino. Apesar das denúncias, um relatório divulgado neste mês pelo próprio Conselho da Paz atribuiu ao Hamas a responsabilidade principal pelo fracasso da transição do cessar-fogo para uma nova etapa política. O documento acusa o movimento palestino de recusar desarmamento total sem garantias permanentes de segurança oferecidas por Israel e pelos Estados Unidos, principal patrocinador militar e diplomático israelense. Konyndyk criticou o relatório produzido pelo conselho liderado por Trump. “O relatório do Conselho da Paz, na minha visão, não parecia o trabalho de um mediador tentando tratar todos os lados da mesma maneira. Parecia algo unilateral”, afirmou. Segundo ele, o documento menciona a crise humanitária apenas de maneira indireta e evita reconhecer o motivo central da continuidade da fome e do colapso civil em Gaza: o bloqueio israelense imposto em violação ao próprio cessar-fogo negociado sob supervisão estadunidense. “Ele fala de forma indireta sobre algumas dificuldades humanitárias contínuas, mas em nenhum momento reconhece a razão disso — a principal razão sendo o padrão contínuo de obstrução pelo governo israelense em contradição direta com suas obrigações no acordo de cessar-fogo”, disse. “O que existe de singular aqui é o nível de impunidade.” As organizações humanitárias afirmaram que o problema central não é ausência de recursos financeiros ou de estrutura operacional, mas ausência de pressão política contra Israel para cumprimento do acordo. Na reunião inaugural do Conselho da Paz realizada em fevereiro, em Washington, Trump anunciou promessas de US$ 7 bilhões destinadas a operações de ajuda em Gaza. Os recursos foram prometidos por Cazaquistão, Azerbaijão, Emirados Árabes Unidos, Marrocos, Bahrein, Catar, Arábia Saudita, Uzbequistão e Kuwait. Catar, Arábia Saudita e Kuwait comprometeram US$ 1 bilhão cada. Trump também declarou que os Estados Unidos destinariam outros US$ 10 bilhões para operações gerais do Conselho da Paz, embora não necessariamente direcionados a Gaza. O Escritório das Nações Unidas para Coordenação de Assuntos Humanitários ficou encarregado de levantar mais US$ 2 bilhões para Gaza. A Fifa prometeu US$ 75 milhões para projetos esportivos dentro do enclave palestino. Trump afirmou ainda que o Japão sediará uma conferência internacional de arrecadação envolvendo Coreia do Sul, Filipinas e Singapura. Na ocasião, o presidente estadunidense declarou que China e Rússia também participariam das iniciativas ligadas ao conselho. Apesar da retórica diplomática apresentada pela Casa Branca, a carta constitutiva do Conselho da Paz não menciona as palavras “Gaza” ou “palestino”. O governo Trump também abandonou a chamada “solução de dois Estados” como objetivo formal da política externa estadunidense para Palestina e Israel, rompendo uma posição mantida durante décadas por Washington enquanto o financiamento militar estadunidense às operações israelenses continuava sendo preservado. Trump declarou em fevereiro que pretende utilizar o Conselho da Paz para administrar outras crises internacionais diante daquilo que classificou como incapacidade das Nações Unidas. A Espanha recusou adesão ao conselho, assim como a maior parte dos países europeus. Representantes da União Europeia participaram da reunião de fevereiro apenas na condição de observadores. O Vaticano recusou convite para participar do encontro, enquanto o governo do Canadá teve seu convite revogado pela administração Trump.

  • Soldados israelenses afirmam que saquear e destruir é sua missão no Líbano

    Soldados israelenses relataram ao jornal Haaretz uma cultura de saque sistemático no sul do Líbano, comparada a um “exército viking”, com comandantes ignorando roubos e destruição de propriedades civis. Um reservista afirmou que havia uma “missão não oficial” para “retirar todo o saque”, enquanto soldados esvaziavam casas e lojas de alimentos, cigarros, produtos de limpeza e outros bens para uso pessoal. Outro militar disse ao Haaretz que aldeias inteiras foram demolidas sem justificativa militar, acrescentando: “Não havia outro motivo além da vingança”, após casas, escolas e clínicas serem destruídas. Segundo os depoimentos, empreiteiros privados, incluindo “colonos extremistas”, participaram das demolições, enquanto vídeos de vandalismo e saque por soldados israelenses circulam nas redes sociais. Dados oficiais libaneses indicam que, desde 2 de março, mais de 3 mil pessoas morreram, 9,2 mil ficaram feridas e cerca de 1,6 milhão foram deslocadas pela ofensiva israelense no Líbano.

  • Trump promete que os EUA vão confiscar o estoque de urânio enriquecido do Irã

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que Washington pretende confiscar o estoque de urânio altamente enriquecido do Irã como condição para qualquer acordo nuclear com Teerã. A declaração foi feita na Casa Branca durante conversa com jornalistas sobre as negociações envolvendo o programa nuclear iraniano. O governo iraniano respondeu por meio de fontes ligadas às negociações e reafirmou que o urânio permanecerá sob controle iraniano. Donald Trump | ARQUIVO Trump afirmou que os Estados Unidos pretendem impedir que o Irã desenvolva armamento nuclear e ameaçou adotar medidas militares caso Washington não alcance esse objetivo por meio das negociações. “Olha, vamos garantir que eles não tenham uma arma nuclear, ou teremos que fazer algo drástico”, declarou o presidente estadunidense na Casa Branca. O presidente estadunidense também buscou justificar a política de pressão contra Teerã ao afirmar que a população dos Estados Unidos apoiaria medidas contra o programa nuclear iraniano. “Acredito que, quando isso for levado ao conhecimento do povo do nosso país, todos concordarão que não podemos deixar o Irã obter uma arma nuclear”, disse Trump. Questionado por jornalistas sobre a possibilidade de o Irã manter parte do estoque de urânio enriquecido dentro do país, Trump respondeu de forma direta: “Não, nós o obteremos. Não precisamos dele, não o queremos, provavelmente o destruiremos depois de obtê-lo. Mas não vamos deixá-los ficar com ele.” A exigência apresentada pela Casa Branca amplia a pressão estadunidense sobre o programa nuclear iraniano e toca um dos pontos centrais da disputa entre Washington e Teerã desde a retirada unilateral dos Estados Unidos do acordo nuclear de 2015. O governo estadunidense passou a defender mecanismos de controle externo sobre o enriquecimento de urânio iraniano enquanto mantém sanções econômicas e pressão diplomática contra a República Islâmica. Relatos anteriores mencionaram declarações atribuídas ao Líder do Irã, Mojtaba Khamenei, segundo as quais o estoque de urânio enriquecido não deixaria o território iraniano. Posteriormente, um alto funcionário iraniano rejeitou essas informações e classificou o conteúdo como “propaganda dos inimigos do acordo”. Em entrevista à Al Jazeera sob condição de anonimato, o funcionário iraniano afirmou que a posição de Teerã não sofreu alterações durante as negociações. Segundo ele, o Irã pretende administrar internamente o destino do material enriquecido. “O Irã irá ‘diluir’ o urânio enriquecido por conta própria”, afirmou a fonte ouvida pela Al Jazeera. O mesmo funcionário declarou que as discussões sobre o destino do estoque nuclear iraniano serão tratadas na próxima etapa das negociações entre Teerã e Washington.

  • Trump afirma que não está tentando intimidar Cuba enviando um porta-aviões ao Mar do Caribe

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negou que o envio do porta-aviões USS Nimitz ao Mar do Caribe tenha como objetivo intimidar Cuba. A declaração foi feita em 21 de maio, na Casa Branca, após o Comando Sul estadunidense confirmar a chegada de um grupo de ataque naval à região. O movimento militar ocorre enquanto Washington amplia ameaças contra Havana e discute ações após a ofensiva estadunidense contra o Irã. Donald Trump | ARQUIVO Questionado por jornalistas sobre a presença do USS Nimitz próximo ao território cubano, Trump respondeu: “Não, de forma alguma”. Em seguida, acrescentou: “Vamos ajudá-los”, em referência à população cubana. Segundo relatório divulgado pelo Comando Sul dos Estados Unidos em 20 de maio, o grupo de ataque liderado pelo USS Nimitz chegou ao Mar do Caribe no mesmo dia em que autoridades estadunidenses anunciaram uma acusação à revelia contra Raúl Castro, um dos dirigentes históricos da Revolução Cubana. O deslocamento militar ocorre após meses de declarações do governo estadunidense sobre mudanças de "regime" em Cuba. Em 5 de março, Trump anunciou que Washington pretendia desenvolver um “plano de ação mais aprofundado” para Cuba após a conclusão das operações militares contra o Irã. Desde então, integrantes do governo estadunidense ampliaram a pressão política e econômica sobre Havana. Trump declarou em diferentes ocasiões que o governo cubano e a economia da ilha estavam “à beira do colapso” após a interrupção do fornecimento de petróleo venezuelano para Cuba sob pressão exercida por Washington contra Caracas. Em 27 de fevereiro, Trump afirmou que os Estados Unidos poderiam realizar uma “tomada amigável de poder em Cuba”, formulação utilizada pela Casa Branca para tratar operações de mudança de governo promovidas por Washington contra governos considerados hostis aos interesses estadunidenses no continente. Em 18 de maio, o jornal Politico informou que o governo estadunidense demonstrava inclinação crescente ao uso de força militar contra Cuba. A reportagem descreveu discussões internas em Washington sobre opções militares e estratégias de pressão diante da deterioração das relações bilaterais. O envio do USS Nimitz ocorre em meio ao histórico de operações militares, bloqueios econômicos e tentativas de intervenção conduzidas pelos Estados Unidos contra Cuba desde a Revolução de 1959. O bloqueio econômico imposto por Washington permanece em vigor há mais de seis décadas e continua sendo denunciado por Havana em fóruns internacionais como instrumento de asfixia econômica e pressão política. Em 13 de março, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel informou que representantes de Havana e Washington haviam realizado conversas com o objetivo de buscar soluções por meio do diálogo para as contradições bilaterais. A declaração ocorreu enquanto a Casa Branca mantinha sanções econômicas, ampliava retórica militar e reforçava presença naval no Caribe.

  • Arábia Saudita congela contratos com consultores ocidentais

    A Arábia Saudita suspendeu novos contratos com consultorias ocidentais e adiou pagamentos de contratos em vigor durante a escalada da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. Dados da Autoridade Geral de Estatísticas saudita mostram que a receita com exportações de petróleo atingiu US$ 24,7 bilhões em março de 2026, o maior nível desde outubro de 2022. O movimento ocorre enquanto Riade reduz megaprojetos ligados ao programa Visão 2030 e amplia gastos militares após ataques iranianos contra o reino. Foto: Fayez Nureldine/AFP O jornal Financial Times informou na quinta-feira, 21 de maio, que a suspensão de novos contratos ocorreu após o início da ofensiva militar conduzida por Estados Unidos e Israel contra o Irã. Segundo o veículo britânico, executivos de consultorias relataram que pagamentos de faturas existentes foram adiados até o final do segundo trimestre, previsto para junho. O governo saudita negou interrupção de pagamentos. Parte dos executivos consultados pelo Financial Times atribuiu a decisão ao impacto econômico e político da guerra. O cenário regional alterou rotas de exportação de petróleo e intensificou disputas no Golfo Pérsico, especialmente após o bloqueio do Estreito de Ormuz por forças iranianas e estadunidenses. Apesar da guerra, a Arábia Saudita manteve parte relevante de suas exportações energéticas devido ao funcionamento do gasoduto leste-oeste, que conecta o Golfo Pérsico ao porto de Yanbu, no Mar Vermelho. A infraestrutura permitiu que Riade contornasse o Estreito de Ormuz, ao contrário de outros países do Golfo dependentes da rota marítima. Segundo a Autoridade Geral de Estatísticas saudita, as receitas do petróleo alcançaram US$ 24,7 bilhões em março deste ano. O valor representa o maior nível em mais de três anos e foi impulsionado pela elevação dos preços internacionais do petróleo bruto e dos derivados refinados após a guerra regional. O barril Brent, referência internacional, passou a ser negociado em níveis cerca de 50% superiores aos registrados antes da guerra. Mesmo assim, a Arábia Saudita continuou operando abaixo dos níveis anteriores ao conflito, exportando aproximadamente 70% do volume pré-guerra. O aumento da arrecadação não eliminou o déficit fiscal saudita. Dados do primeiro trimestre mostram déficit de US$ 33,5 bilhões, enquanto os gastos públicos cresceram 20% em comparação com o mesmo período do ano anterior. O governo saudita declarou que ampliou despesas para sustentar a economia nacional durante a instabilidade regional. Os gastos militares cresceram 26% no primeiro trimestre após ataques iranianos com mísseis e drones contra instalações sauditas. Nos últimos meses, Riade também iniciou redução de projetos ligados ao programa Visão 2030, lançado em 2016 pelo príncipe herdeiro Mohammad bin Salman. O plano buscava remodelar a economia saudita por meio de grandes obras de infraestrutura e cidades futuristas financiadas pela renda petrolífera. Entre os projetos afetados está Neom, megacidade planejada no deserto saudita e apresentada como vitrine tecnológica do reino. O projeto previa construções como The Line, cidade linear de 170 quilômetros, além de uma estação de esqui com neve artificial em meio ao deserto da Península Arábica. A proposta orçamentária prévia para 2026 excluiu completamente o projeto Neom. Em julho de 2025, autoridades sauditas já discutiam cortes de funcionários e redução estrutural das operações do empreendimento diante do custo elevado e da ausência de investidores estrangeiros em escala esperada. O ministro das Finanças saudita, Mohammed al-Jadaan, declarou em dezembro de 2025 que o governo “não tinha nenhum ego” que impedisse a revisão dos projetos. Consultorias ocidentais passaram a ocupar posição central na formulação desses programas desde a década de 1950, mas ampliaram presença após o lançamento da Visão 2030. Empresas como McKinsey & Company e Boston Consulting Group participaram do planejamento e da modelagem financeira de projetos ligados a Neom e outras iniciativas do governo saudita. Relatos publicados anteriormente também expuseram tensões entre executivos estrangeiros e funcionários sauditas envolvidos nos projetos. Wayne Borg, ex-chefe da divisão de mídia de Neom, foi acusado de realizar discursos ofensivos contra o Islã e contra mulheres do Golfo Pérsico durante reuniões internas do projeto.

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