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A Bolívia registra 46 dias de protestos com mais de 50 bloqueios

A Bolívia chegou a 46 dias consecutivos de bloqueios de estradas e mobilizações em diferentes regiões do país. Segundo dados da Administração Boliviana de Rodovias (ABC), 50 pontos de interdição permaneciam ativos em 15 de junho de 2026. Os manifestantes exigem mudanças na condução do governo de Rodrigo Paz, incluindo sua renúncia.


Pessoas participam de uma marcha contra os bloqueios de estradas e pela renúncia do presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, em La Paz, em 8 de junho de 2026. | Foto: MARVIN RECINOS / AFP
Pessoas participam de uma marcha contra os bloqueios de estradas e pela renúncia do presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, em La Paz, em 8 de junho de 2026. | Foto: MARVIN RECINOS / AFP

De acordo com o relatório mais recente da ABC, os bloqueios seguem distribuídos por cinco departamentos bolivianos, afetando a circulação de mercadorias, combustíveis e pessoas em parte da malha rodoviária nacional. As mobilizações mantêm pressão sobre o governo em meio ao agravamento dos impactos econômicos e sociais provocados pela interrupção prolongada das principais rotas do país.


O departamento de La Paz concentra o maior número de bloqueios, com 20 pontos de interdição registrados. Cochabamba aparece em seguida com 17 bloqueios, enquanto Oruro contabiliza sete. Em Potosí foram registrados cinco pontos de interrupção, e Santa Cruz mantém um bloqueio na localidade de San Julián, na rodovia que conecta o departamento ao Beni.


As manifestações têm como uma de suas reivindicações centrais a saída do presidente Rodrigo Paz. O movimento ocorre em um cenário de tensão política e econômica, com diferentes setores sociais mobilizados em diversas regiões do país.


Embora o número de bloqueios tenha recuado em relação aos períodos de maior intensidade das mobilizações, os efeitos sobre o abastecimento continuam presentes. Em cidades como La Paz e El Alto, moradores enfrentam dificuldades para obter alimentos, combustíveis, medicamentos e outros produtos de consumo diário, refletindo o impacto direto da paralisação das vias de transporte.


A persistência dos bloqueios também afeta cadeias de distribuição, transporte de cargas e atividades econômicas dependentes da circulação rodoviária. A manutenção de dezenas de pontos de interdição ao longo de mais de seis semanas transformou a crise em um dos principais temas da agenda política boliviana.


Diante da continuidade do impasse, setores sindicais passaram a defender a abertura de negociações entre o governo e os grupos mobilizados. Diversas centrais departamentais solicitaram à direção nacional da Central Operária Boliviana (COB) que promova um canal de diálogo com as autoridades para buscar uma saída para a crise.


Até o momento, segundo as informações divulgadas, a direção nacional da COB não apresentou resposta oficial ao pedido de intermediação formulado pelos sindicatos departamentais.

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