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O Hamas exige a retirada israelense de Gaza em resposta ao plano de desarmamento do Conselho de Paz

As forças israelenses continuam sem cumprir compromissos assumidos no cessar-fogo firmado em outubro de 2025, enquanto facções palestinas reafirmam adesão aos termos acordados. Em resposta a uma nova proposta apresentada no âmbito do plano do presidente estadunidense Donald Trump para Gaza, o Hamas e outras organizações da resistência palestina exigiram a implementação integral da primeira fase do acordo. A posição foi formalizada em 13 de junho após reuniões com mediadores do Egito, Catar e Turquia.


Hamas ©TURKEY TODAY
Hamas ©TURKEY TODAY

O Hamas confirmou em 15 de junho que entregou sua resposta à proposta composta por 15 pontos apresentada em 19 de abril por Nikolay Mladenov, responsável pelo chamado Conselho de Paz criado pelo governo estadunidense. No documento encaminhado aos mediadores, o movimento insistiu na necessidade de que Israel cumpra as obrigações assumidas na primeira etapa do cessar-fogo firmado em outubro do ano passado.


Em comunicado, o Hamas destacou "a necessidade de implementar integralmente a primeira fase em todos os seus detalhes, particularmente no que diz respeito ao protocolo humanitário e à cessação de todas as formas de agressão contra o nosso povo palestino na Faixa de Gaza".


Segundo o movimento palestino, a posição apresentada resulta de uma série de reuniões realizadas durante a última semana entre representantes das facções palestinas e mediadores regionais. O objetivo das consultas foi consolidar uma resposta comum diante das negociações em andamento.


O comunicado informou ainda que a delegação do Hamas permanecerá no Cairo para dar continuidade aos encontros com representantes do Egito, do Catar e da Turquia, com o propósito de discutir mecanismos para a aplicação do acordo de cessar-fogo nos termos originalmente negociados.


O cessar-fogo entrou em vigor em 10 de outubro de 2025 após meses de negociações. Conforme o entendimento alcançado, a primeira fase previa troca de prisioneiros, suspensão das operações militares, retirada de forças israelenses de áreas determinadas, livre circulação de deslocados internos, ampliação da entrada de ajuda humanitária e autorização para evacuação médica de pessoas feridas ou doentes.


Segundo o texto-base das negociações, o Hamas executou sua parte da primeira fase ao libertar os prisioneiros israelenses que permaneciam sob sua custódia desde a operação palestina de 7 de outubro de 2023 contra assentamentos e instalações militares israelenses.


As autoridades israelenses, por outro lado, não implementaram medidas previstas no acordo. Entre os pontos citados pelas facções palestinas estão a manutenção de operações militares, a permanência de tropas em áreas cuja retirada havia sido negociada, incluindo o corredor de Netzarim, e a continuidade das restrições impostas à entrada de alimentos, medicamentos e outros suprimentos destinados à população de Gaza.


Israel também manteve limitações ao retorno de palestinos deslocados para diferentes regiões da Faixa de Gaza e não autorizou de forma plena a saída de pacientes para tratamento médico através da passagem de Rafah, localizada na fronteira com o Egito.


Além da manutenção do bloqueio, forças israelenses expandiram áreas sob ocupação militar para além da chamada Linha Amarela, referência utilizada durante as negociações para delimitar zonas de presença militar israelense e áreas administradas por palestinos. Paralelamente, continuaram ocorrendo bombardeios e ataques contra diferentes localidades do território.


Dados divulgados pelo Ministério da Saúde de Gaza indicam que, desde a entrada em vigor do cessar-fogo, pelo menos 992 palestinos foram mortos e outros 3.144 ficaram feridos em ações militares israelenses.


O mesmo ministério informou que o número de palestinos mortos desde o início do genocídio em Gaza, em outubro de 2023, alcançou 73 mil pessoas. Fontes independentes citadas por organizações humanitárias e pesquisadores apontam que o número total de vítimas pode ser superior ao registrado oficialmente devido à destruição de infraestrutura, desaparecimentos sob escombros e limitações no sistema de contagem.


Israel justifica a não aplicação integral do acordo alegando que o Hamas se recusa a entregar suas armas. As facções palestinas respondem que a questão do desarmamento está prevista apenas para fases posteriores do cessar-fogo e não constitui condição para a execução das medidas estabelecidas na primeira etapa.


Informações publicadas pelo Times of Israel, com base em fonte envolvida nas negociações realizadas no Cairo, indicam que representantes do Conselho de Paz pretendem avançar com partes do plano estadunidense independentemente do andamento das negociações sobre desarmamento.


Segundo a fonte citada pelo jornal israelense, "O Conselho de Paz não está esperando pelo Hamas. Ele continua avançando com o plano, incluindo a governança, a estabilização e a reconstrução em áreas que podem ser asseguradas e livres do controle do Hamas".


Outras fontes ouvidas pelo Times of Israel afirmaram que o Conselho de Paz estuda utilizar o Artigo 17 do acordo de outubro. De acordo com essa cláusula, projetos de reconstrução poderiam ser implementados apenas em áreas controladas pelo exército israelense caso não haja entendimento sobre as etapas posteriores do cessar-fogo.


As regiões atualmente sob controle militar israelense correspondem a áreas onde parte da população palestina foi deslocada e onde unidades israelenses demoliram edifícios residenciais, instalações civis e infraestrutura urbana utilizando tratores militares e explosivos ao longo dos meses de operações em Gaza.

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