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Crise no governo Milei leva multinacional a transferir produção da Argentina para o Brasil

A multinacional Whirlpool anunciou a transferência de sua produção da Argentina para o Brasil. A decisão envolve o fechamento da fábrica em Pilar, na província de Buenos Aires, e a centralização das operações em Rio Claro, interior de São Paulo. O movimento ocorre em meio ao aprofundamento da crise econômica argentina sob o governo de Javier Milei. Dados recentes indicam inflação elevada, retração industrial e fechamento massivo de empresas no país. A informação foi divulgada em comunicado oficial da empresa em abril de 2026.


Javier Milei
Javier Milei

A Whirlpool S.A., responsável por marcas como Brastemp, Consul e KitchenAid, confirmou que a produção de máquinas de lavar anteriormente realizada na unidade de Pilar será transferida integralmente para sua planta industrial em Rio Claro. Segundo o comunicado, a mudança visa “melhorar a eficiência operacional e otimizar recursos”, consolidando a operação brasileira como um polo estratégico da companhia na América Latina. A unidade paulista já produzia modelos de carga superior e passará a concentrar também a fabricação de equipamentos de carga frontal.


O anúncio ocorre em um contexto de deterioração acelerada da economia argentina desde a posse de Javier Milei, em dezembro de 2023. Em março de 2026, a inflação mensal registrou alta de 3,4%, acumulando 32,6% em 12 meses. Paralelamente, a atividade econômica apresentou retração de 2,1% em fevereiro na comparação anual, enquanto a produção industrial caiu 8,7% no mesmo período. Esses indicadores refletem o impacto direto das políticas de desregulação econômica, corte de gastos públicos e alinhamento estrutural aos interesses do capital financeiro internacional, especialmente estadunidense.


O ambiente de instabilidade tem provocado uma debandada empresarial sem precedentes recentes. Dados da Superintendência de Riscos do Trabalho indicam o fechamento de aproximadamente 22 mil empresas desde o início do governo Milei, superando inclusive o período crítico da pandemia de covid-19, quando cerca de 19 mil companhias encerraram suas atividades. Esse processo de desindustrialização acelerada evidencia a fragilidade estrutural de um modelo econômico baseado na abertura irrestrita de mercados e na compressão do consumo interno.


A saída da Whirlpool se soma a uma lista crescente de multinacionais que reduziram ou encerraram operações na Argentina nos últimos dois anos, incluindo Telefónica, ExxonMobil, Mercedes-Benz, Clorox, Procter & Gamble, Alsea e HSBC. No setor de varejo, o grupo responsável pelo Burger King busca compradores para manter suas operações, enquanto o Carrefour abandonou tentativas de venda diante da ausência de propostas compatíveis com suas expectativas financeiras.


Os efeitos dessa retração econômica já atingem diretamente a população argentina. O desemprego alcançou 7,5%, enquanto a taxa de informalidade chegou a 43%, evidenciando a precarização do mercado de trabalho. Paralelamente, o aumento do custo de vida tem provocado mudanças drásticas nos hábitos de consumo. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística e Censo (Indec), o preço da carne bovina subiu 63,2% em 12 meses na região da Grande Buenos Aires, levando parte da população a recorrer a alternativas como carne de burro, conforme relatado por veículos locais.


No caso específico da Whirlpool, a empresa não detalhou o número de empregos que serão gerados no Brasil com a transferência das operações. No entanto, afirmou que a unidade de Rio Claro será transformada na mais avançada da América Latina, com uso intensivo de inteligência artificial e robótica de ponta. A estratégia inclui a criação de um “hub de exportação de classe mundial”, voltado à produção de equipamentos premium para toda a região.


Em comunicado oficial, a companhia declarou: “A Whirlpool S.A. confirma a transferência da produção anteriormente realizada em Pilar, na Argentina, para sua unidade de manufatura em Rio Claro, no Brasil. Esta transição visa melhorar a eficiência operacional e otimizar recursos, consolidando a posição da Whirlpool como líder no setor ao integrar excelência fabril e inovação centrada no consumidor para impulsionar o crescimento sustentável.”

A empresa também afirmou que manterá sua presença comercial no mercado argentino por meio da importação de produtos fabricados em outras unidades globais, distribuídos pela Whirlpool Argentina, preservando o atendimento aos consumidores locais mesmo após o encerramento das atividades industriais no país.

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