Expansão das detenções do ICE aumenta denúncias de agressões e separação de famílias nos EUA
- www.jornalclandestino.org

- 11 de mai.
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O sistema de detenção migratória administrado pelo ICE nos Estados Unidos registrou aumento de denúncias de violência física, negligência médica e repressão contra imigrantes presos sob o governo Donald Trump. Investigações do The Guardian e do Washington Post apontam crescimento do uso de spray de pimenta, armas de choque, socos e chutes dentro das prisões de imigração, enquanto o número de detidos ultrapassou 73 mil pessoas em janeiro de 2026. Parlamentares e organizações de direitos humanos denunciam que a expansão do aparato repressivo estadunidense produz nova onda de separação familiar, detenções arbitrárias e degradação das condições de sobrevivência dentro dos centros operados pelo ICE.

Investigação publicada pelo The Guardian revelou que agentes federais de imigração prenderam os pais de pelo menos 27 mil crianças durante os primeiros sete meses de 2025, incluindo milhares de crianças cidadãs dos Estados Unidos. Organizações de defesa dos imigrantes afirmam que a política migratória do governo Trump reproduz práticas adotadas durante o primeiro mandato presidencial, quando a separação de famílias latino-americanas se transformou em eixo da política de fronteira estadunidense.
Outra investigação, publicada pelo Washington Post com base em registros internos do ICE, documentou aumento do uso de força física e agentes químicos contra detidos que exigiam água potável, atendimento médico e alimentação. O jornal informou que guardas passaram a utilizar spray de pimenta, armas de choque, socos e chutes diante do crescimento da superlotação nas unidades de detenção.
Dados federais citados pela reportagem mostram que 73 mil pessoas estavam detidas pelo ICE em janeiro de 2026, número apresentado como recorde histórico no sistema migratório estadunidense. O crescimento da população carcerária ocorreu após a ampliação das operações de repressão migratória conduzidas pelo governo Trump em diferentes estados.
A congressista Adelita Grijalva, do Arizona, visitou nesta semana dois centros de detenção do ICE: o Centro Familiar de Dilley, no Texas, e a unidade de Florence, no Arizona. Em entrevista ao programa Democracy Now!, apresentado por Amy Goodman e Juan González, Grijalva relatou denúncias de fome, falta de informação jurídica, negligência médica e detenções prolongadas.
Segundo a parlamentar, o centro de Dilley mantém mães e filhos presos no mesmo complexo. Ela afirmou que decidiu visitar a unidade após ouvir relatos feitos pelo deputado Joaquín Castro sobre as condições internas do local. Grijalva relatou que seis pessoas participaram da inspeção.
“O que tínhamos ouvido falar era completamente diferente do que vimos”, declarou. Segundo ela, a administração apresentou uma enfermaria vazia e um refeitório abastecido durante a visita parlamentar. “Vimos uma instalação médica impecável. Ninguém - parecia que ninguém a tinha usado. Havia 400 pessoas lá, e ninguém. Parecia que nunca tinha sido usada. Vimos um enorme buffet com comida maravilhosa”, afirmou.
A congressista disse que os relatos dos detidos contradiziam a estrutura exibida pela direção da unidade. “Mas quando você conversa com as pessoas, elas dizem: ‘Onde está a comida? Porque o que estão nos dando é intragável.’ As pessoas estão perdendo peso. A água é intragável”, afirmou.
Grijalva relatou que muitos detidos não recebem informações sobre os próprios processos migratórios. “Há muitas pessoas lá que não têm certeza de em que ponto estão nesse processo, porque não há muita informação sendo fornecida a ninguém”, disse.
A parlamentar também afirmou que organizações locais denunciaram negligência médica dentro do centro. Segundo ela, um detido relatou que deveria ter realizado cirurgia no pé no dia seguinte à prisão pelo ICE, mas recebeu apenas ibuprofeno e uma bota ortopédica.
Grijalva também afirmou que conversou com imigrantes que já haviam aceitado deportação voluntária, mas permaneciam presos sem explicações. “Há pessoas que disseram: ‘Eu me autodeportei. Por que ainda estou aqui? Ninguém me diz nada.’ E há muitos abusos realmente graves acontecendo. Não há lógica nenhuma no que está acontecendo lá.”
Durante a visita à unidade do ICE em Florence, no Arizona, a congressista realizou inspeção sem aviso prévio. Ela afirmou que tentou acessar a área de triagem, onde migrantes deveriam permanecer por até 72 horas, mas denúncias apontam detenções superiores a duas semanas.
“Pedi especificamente para ver a área onde as pessoas ficam, a área de triagem, porque essa é a preocupação que chegou ao nosso escritório sobre pessoas que estão em uma área de triagem, que deveria ficar por no máximo 72 horas, por mais de duas semanas”, relatou.
Segundo Grijalva, a administração da unidade impediu contato direto com os detidos. “Observei as instalações. Não consegui ver onde as pessoas estavam dormindo. Vi telefones, uma grande área comum, como uma prisão”, afirmou.
A parlamentar descreveu o ambiente interno da prisão como isolado acusticamente. “É estranhamente silencioso quando você entra, porque toda a instalação de detenção é protegida por vidro à prova de som. Então, você vê 200 a 300 pessoas, mas não consegue ouvir ninguém.”
Durante a mesma entrevista ao Democracy Now!, Juan González questionou Grijalva sobre declarações feitas por Tom Homan, ex-diretor interino do ICE e responsável pela política de fronteira do governo Trump. Homan discursou na Exposição de Segurança de Fronteiras de 2026, realizada no Arizona, onde ameaçou ampliar operações contra cidades que recusam colaboração com as deportações conduzidas pelo governo estadunidense.
Segundo Grijalva, as declarações foram interpretadas como ameaça contra comunidades latinas e autoridades locais. A congressista afirmou que gravou um vídeo ao lado da prefeita de Tucson, Regina Romero, reagindo às declarações de Homan.
“Basicamente, a ameaça era de ‘prisões colaterais’. Isso significa qualquer pessoa. Eles vão mirar em pessoas como eu, que parecem trabalhadores, que falam com sotaque”, declarou.
Grijalva afirmou que as operações migratórias promovidas pelo governo Trump ampliam o clima de perseguição dentro das comunidades latinas nos Estados Unidos. “Estão ameaçando assediar nossas comunidades. E nós vamos ter que nos unir e defender as pessoas daqui.”












































