Lula reúne ministros em meio à escalada de tensões entre Brasil e Estados Unidos
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- 3 de jun.
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O presidente Lula realiza nesta quarta-feira, 3 de junho, a segunda reunião ministerial de 2026 em meio à escalada de medidas anunciadas pelo governo estadunidense contra o Brasil. A pauta inclui propostas de sobretaxas sobre exportações brasileiras e a decisão de Washington de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas estrangeiras. O encontro ocorre após mudanças em 18 ministérios e diante da incorporação desses temas ao debate eleitoral nacional.

A reunião marcará o primeiro encontro coletivo de Lula com sua equipe ministerial desde a reforma realizada na Esplanada dos Ministérios em abril. As mudanças ocorreram após o encerramento do prazo legal de desincompatibilização, período em que ocupantes de cargos públicos precisam deixar suas funções para disputar eleições. Ao todo, 18 ministérios tiveram troca de comando.
O último encontro ministerial nesse formato ocorreu no final de março. Desde então, temas relacionados às relações entre Brasil e Estados Unidos passaram a ocupar espaço central na agenda política do governo federal e nas disputas eleitorais que antecedem o pleito de 2026.
Entre os assuntos previstos para discussão está a proposta de novas tarifas sobre produtos brasileiros anunciada pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na segunda-feira, 1º de junho, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) concluiu uma investigação que acusa o governo brasileiro de adotar práticas que, segundo Washington, "oneram ou restringem" o comércio com os Estados Unidos.
O relatório cita o sistema de pagamentos PIX, questões relacionadas ao desmatamento ilegal, pirataria e falhas na aplicação de mecanismos anticorrupção. Como resultado da investigação, o USTR propôs a aplicação de uma tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras exportadas para o mercado estadunidense.
A proposta inclui exceções para determinados produtos considerados estratégicos pelos Estados Unidos. Entre eles estão carne bovina, frutas, café, aeronaves e minerais classificados por Washington como terras raras.
As medidas ainda não entraram em vigor. Pela legislação estadunidense, a investigação precisa ser formalmente encerrada e submetida a etapas de consulta pública antes da implementação de qualquer sanção comercial.
O governo brasileiro reagiu ao documento por meio de nota oficial. O Palácio do Planalto afirmou ter recebido o relatório "com indignação" e declarou que a investigação foi aberta após "provocação da família Bolsonaro". O governo também classificou a iniciativa como tentativa de ingerência em assuntos internos do país.
Na terça-feira, 2 de junho, durante discurso realizado em Catalão, no estado de Goiás, Lula afirmou que espera um contato direto do presidente Donald Trump para discutir as medidas. O presidente brasileiro declarou que aguarda um telefonema do mandatário estadunidense para que sejam apresentados esclarecimentos sobre as ações anunciadas por Washington.
A pressão comercial aumentou no dia seguinte. Uma segunda investigação conduzida por órgãos do governo estadunidense concluiu que 60 países, incluindo o Brasil, não teriam adotado mecanismos considerados suficientes para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
Com base nessa conclusão, Washington propôs uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos originários desses países. Integrantes do governo brasileiro avaliam que a nova cobrança poderá ser acumulada à tarifa de 25% anunciada anteriormente.
Caso as duas medidas sejam aplicadas simultaneamente, a sobretaxa total alcançará 37,5% sobre parte das exportações brasileiras destinadas ao mercado estadunidense. O percentual se aproxima dos níveis tarifários impostos pelos Estados Unidos em disputas comerciais anteriores.
Outro tema que deve ser discutido pelos ministros é a decisão do Departamento de Estado dos Estados Unidos de incluir o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) na lista de organizações terroristas estrangeiras.
O governo brasileiro ainda avalia os impactos políticos, jurídicos e diplomáticos da medida. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou que realizará reuniões com autoridades estadunidenses nos próximos dias para tratar do assunto.
Após o anúncio de Washington, Lula declarou que o combate ao crime organizado será conduzido pelas instituições brasileiras e afirmou que o país não aceitará intervenções externas relacionadas à segurança pública nacional.
A reunião ministerial também ocorrerá em meio ao debate sobre a Proposta de Emenda à Constituição que extingue a escala de trabalho 6x1 e reduz a jornada semanal. A proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados na semana passada com apoio de parlamentares vinculados aos partidos da base governista.
Na terça-feira, o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, declarou que a Casa não pode ser obrigada a aprovar automaticamente o texto enviado pelos deputados. A proposta chegou ao Senado em 28 de maio e foi encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça para análise.
No mesmo dia, Alcolumbre também enviou à comissão outra proposta relacionada à regulamentação da jornada de trabalho, ampliando o debate legislativo sobre o tema.
A indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal também integra o cenário político que cerca a reunião ministerial. Em abril, o Senado rejeitou a indicação apresentada por Lula para preencher uma vaga aberta na Corte.
Na mesma semana, o Congresso Nacional derrubou o veto presidencial ao projeto conhecido como PL da Dosimetria, que reduz penas aplicadas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na semana passada, Lula anunciou que pretende reenviar ao Senado o nome de Jorge Messias para ocupar a cadeira vaga no Supremo Tribunal Federal, aberta desde o ano anterior.



































