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O líder palestino Abbas anuncia eleições presidenciais no início de 2027

O presidente palestino Mahmoud Abbas anunciou que eleições legislativas serão realizadas em novembro de 2026 e que a eleição presidencial ocorrerá no início de 2027. O anúncio foi feito em 15 de junho por meio de comunicados oficiais da presidência da Autoridade Palestina. A decisão ocorre após quase vinte anos sem eleições presidenciais e em meio a pressões por reformas institucionais nos territórios palestinos ocupados.


Mahmoud Abbas, Presidente da Autoridade Palestina
Mahmoud Abbas, Presidente da Autoridade Palestina

A presidência palestina informou que Mahmoud Abbas assinou um decreto estabelecendo mudanças nos procedimentos eleitorais e confirmou o calendário para os próximos pleitos. Segundo o comunicado, as eleições presidenciais serão realizadas no início de 2027, enquanto as eleições legislativas ocorrerão em novembro deste ano.


Em declaração separada, Abbas afirmou estar "totalmente preparado para organizar as eleições para o Conselho Nacional Palestino, agendadas para novembro, que incluem as eleições legislativas gerais na Palestina e as eleições no exterior".


O Conselho Nacional Palestino constitui o órgão legislativo da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e reúne representantes dos territórios palestinos e da diáspora palestina espalhada por diversos países. A convocação das eleições para o órgão amplia o alcance do processo eleitoral para além da Cisjordânia ocupada e da Faixa de Gaza.


Mahmoud Abbas, hoje com 90 anos, venceu a última eleição presidencial palestina realizada em janeiro de 2005. O mandato obtido naquela disputa possuía duração prevista de quatro anos e deveria ter terminado em 2009. Desde então, nenhuma nova eleição presidencial foi realizada.


Ao longo desse período, Abbas permaneceu no cargo por meio de decretos presidenciais e da prorrogação do mandato. A ausência de eleições nacionais tornou-se uma das principais fontes de contestação à Autoridade Palestina, tanto entre setores da sociedade palestina quanto entre governos e instituições internacionais que financiam parte de sua estrutura administrativa.


As últimas eleições legislativas palestinas ocorreram em 2006. Na ocasião, o Hamas derrotou o Fatah, partido liderado por Abbas e força política dominante nas instituições palestinas desde a criação da Autoridade Palestina após os Acordos de Oslo.


O resultado eleitoral produziu uma reconfiguração da política palestina e foi seguido por uma ruptura entre as principais organizações políticas do país. Desde 2007, o Conselho Legislativo Palestino, parlamento vinculado à Autoridade Palestina, deixou de funcionar regularmente e não voltou a reunir-se de forma efetiva.


O anúncio das novas eleições ocorre em um contexto marcado por exigências de reformas institucionais apresentadas por governos e organismos internacionais que fornecem apoio financeiro à Autoridade Palestina. Questões relacionadas à representatividade política, à administração pública e à renovação das instituições figuram entre os temas discutidos por doadores internacionais nos últimos anos.


O pesquisador jurídico palestino Mahmud Al-Afranji declarou à agência AFP que existe vontade política e pressão internacional para a realização das eleições. Ao mesmo tempo, destacou obstáculos ligados às condições de votação nos territórios palestinos sob ocupação israelense.


Segundo Al-Afranji, a ausência de garantias para a realização da votação em Jerusalém Oriental ocupada e na Faixa de Gaza continua sendo "um obstáculo para a realização das eleições legislativas".


A questão de Jerusalém Oriental permanece no centro das disputas eleitorais palestinas. Em 2021, Mahmoud Abbas havia anunciado eleições legislativas para maio daquele ano e eleições presidenciais para julho. O processo, porém, foi suspenso por tempo indeterminado.


Na ocasião, a liderança palestina justificou o adiamento pela falta de garantias de que os palestinos residentes em Jerusalém Oriental poderiam participar da votação. O território permanece sob ocupação israelense desde 1967 e sua situação política continua sendo um dos pontos centrais da questão palestina.


O novo calendário eleitoral também surge após a realização de eleições municipais na Cisjordânia ocupada em abril de 2026. A votação representou o primeiro processo eleitoral realizado nos territórios palestinos desde o início do genocídio contra a população palestina na Faixa de Gaza, iniciado em outubro de 2023.


Diante da ausência de eleições presidenciais e legislativas desde 2006, as disputas municipais passaram a constituir um dos poucos mecanismos eleitorais ainda existentes sob administração da Autoridade Palestina.


Os conselhos municipais e distritais eleitos são responsáveis pela gestão de serviços públicos locais, incluindo abastecimento de água, saneamento, manutenção urbana e infraestrutura. Esses órgãos não possuem competências legislativas nacionais.


A Autoridade Palestina enfrenta questionamentos relacionados à corrupção, à estrutura administrativa e à ausência de renovação política. Nos últimos anos, parte dos financiadores internacionais passou a vincular apoio financeiro e cooperação institucional à implementação de reformas administrativas e políticas.


Após as eleições municipais realizadas em abril, a União Europeia declarou que a votação representava um "passo importante rumo a uma democratização mais ampla e ao fortalecimento da governança local... em consonância com o processo de reformas em curso".

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