Não haverá diálogo com os EUA enquanto agressão israelense persistir, afirma chanceler Araqchi
- www.jornalclandestino.org

- 20 de jun. de 2025
- 2 min de leitura
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araqchi, afirmou nesta sexta-feira (20) que Teerã não retomará nenhum tipo de negociação com os Estados Unidos enquanto persistirem os ataques israelenses ao território iraniano. A declaração foi dada pouco antes de sua viagem a Genebra, onde o chanceler se reunirá com representantes europeus para tratar da escalada militar promovida por Tel Aviv.
“Enquanto a agressão não cessar, os diálogos não terão sentido. Não se pode falar em retorno à diplomacia quando fomos atacados no meio dela”, declarou Araqchi a jornalistas no aeroporto.

O diplomata persa criticou duramente as potências ocidentais, acusando-as de “apoio injustificável” ao que classificou como uma ofensiva ilegítima por parte de Israel, que atingiu instalações militares, nucleares e áreas residenciais no Irã desde 13 de junho. Ele denunciou ainda o silêncio internacional diante dos ataques e questionou por que os países ocidentais não permitem sequer a condenação formal da agressão.
“Não temos nada a dizer aos Estados Unidos enquanto se colocarem como cúmplices de crimes de guerra. Não há conversa possível com quem compartilha responsabilidade em ataques a civis e cientistas”, afirmou.
Araqchi também descartou a possibilidade de incluir o programa de mísseis balísticos do Irã nas discussões diplomáticas. Segundo ele, essa capacidade tem caráter defensivo e é uma linha vermelha para o governo iraniano.
“Nenhuma nação racional negocia a própria segurança. Nossos mísseis seguem padrões éticos e o direito internacional humanitário. Não atacamos áreas residenciais, nem hospitais”.
O chanceler reiterou que o Irã continuará com o enriquecimento de urânio em território nacional, enfatizando que não necessita de autorização de terceiros para isso. A declaração ocorre após a denúncia do Irã sobre o bombardeio israelense ao reator de água pesada Jondab, na província central de Arak — uma instalação sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Em publicação recente na rede X, Araqchi condenou veementemente o ataque israelense e exigiu que o Conselho de Segurança da ONU atue com base na Resolução 487, de 1981, que determina que ataques a instalações nucleares representam uma violação do regime internacional de não proliferação.
"Conselho de Segurança será cúmplice se permanecer inerte"
O ministro alertou que o colapso do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) será responsabilidade direta tanto de Israel quanto do Conselho de Segurança, caso este siga aplicando seus princípios de forma seletiva.
“Se as Nações Unidas não se posicionarem, estarão traindo os próprios fundamentos do direito internacional. A responsabilidade histórica recairá sobre elas”, concluiu.
A declaração de Araqchi ocorre em meio à terceira fase da Operação True Promise, a resposta iraniana aos ataques israelenses iniciados em 13 de junho, que deixaram centenas de mortos, entre eles mulheres, crianças, cientistas e altos oficiais militares.





















































