Governo Trump invoca Lei anti-Ku Klux Klan para acusar manifestantes anti-ICE
- www.jornalclandestino.org

- há 2 dias
- 3 min de leitura
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos, sob o governo do presidente Donald Trump, apresentou acusações federais graves contra três ativistas de Minnesota que organizaram um protesto contra o ICE dentro de uma igreja em St. Paul. A promotoria recorreu a uma lei criada na era da Reconstrução para combater a violência da Ku Klux Klan, alegando violação de direitos civis e liberdade religiosa.

O caso foi anunciado na quinta-feira (22) pela procuradora-geral Pam Bondi, após a prisão de Chauntyll Allen, Nekima Levy Armstrong e William Kelly, apontados como organizadores de uma manifestação realizada em 18 de janeiro dentro de um templo religioso em St. Paul, no estado de Minnesota. As prisões envolveram agentes do Departamento de Segurança Interna (DHS) e do FBI.
Os três foram acusados de conspiração para privar um indivíduo de direitos civis, crime previsto na Seção 241 do Código dos Estados Unidos. A legislação foi promulgada no século XIX para proteger afro-americanos da violência racial e garantir direitos políticos em meio às ações da Ku Klux Klan. Caso condenados, os réus podem enfrentar penas severas no âmbito federal.
Segundo a acusação, o protesto teria interferido no livre exercício da religião durante um culto, além de supostamente intimidar fiéis. A promotoria também menciona a Lei FACE, de 1994, criada originalmente para proteger o acesso a serviços de aborto, mas que também abrange locais de culto religioso.
Imagens divulgadas mostram manifestantes entoando palavras de ordem como “ICE fora” e “Justiça para Renee Good”, em referência a uma mulher de 37 anos, mãe de três filhos, morta a tiros no início do mês durante uma ação envolvendo um agente do ICE em Minneapolis. Os organizadores afirmam que a igreja foi escolhida por abrigar um pastor que, segundo reportagens jornalísticas, também exerce função de direção em um escritório local do ICE.
Na documentação apresentada à Justiça, o pastor David Easterwood é identificado como a principal vítima do suposto crime. O relatório policial descreve os manifestantes como “agitadores” e sustenta que seus cânticos teriam causado medo entre os presentes, ainda que não haja indícios de violência armada durante o ato.

O Departamento de Segurança Interna classificou o episódio como um “tumulto em igreja” e afirmou que houve um ataque à liberdade religiosa. A defesa de Nekima Levy Armstrong, no entanto, contesta essa narrativa. Em petição apresentada ao tribunal, o advogado afirma que não houve intenção de impedir o culto, mas sim de provocar um debate moral e político, ressaltando que a própria Armstrong é pastora cristã e líder comunitária.
Levy Armstrong é uma conhecida ativista de direitos civis, ex-presidente da NAACP em Minneapolis e dirigente da organização Racial Justice Network. Chauntyll Allen é integrante do Conselho Escolar de St. Paul e fundadora do Black Lives Matter Twin Cities. William Kelly também atua em movimentos comunitários locais. Todos foram libertados da custódia federal enquanto aguardam o andamento do processo.
A acusação ganhou projeção nacional após a circulação de vídeos do protesto em redes sociais e sites conservadores, que passaram a retratar o ato como violento. Nesse contexto, o Departamento de Justiça chegou a tentar imputar acusações semelhantes ao jornalista Don Lemon, que acompanhava a manifestação, mas a iniciativa foi barrada por um juiz federal.
Autoridades do governo defenderam a ação como um recado contra protestos em locais religiosos. Em publicação nas redes sociais, Pam Bondi afirmou que ataques a templos não serão tolerados. A ofensiva ocorre após o presidente Donald Trump revogar, no início de seu mandato, normas que limitavam a atuação do ICE em chamadas “áreas sensíveis”, como igrejas.



















































