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Para cada dólar gasto na proteção da natureza, 30 dólares são gastos em sua destruição

Um novo relatório das Nações Unidas aponta que o mundo investe volumes muito maiores na degradação ambiental do que na proteção dos ecossistemas. Segundo o estudo, para cada dólar destinado à conservação da natureza, cerca de 30 dólares financiam atividades que causam danos ao meio ambiente.


Retirada de lixo de um rio em Buenos Airres, Argentina @parley.tv
Retirada de lixo de um rio em Buenos Airres, Argentina @parley.tv

Em janeiro de 2026, ONU divulgou o relatório "Estado das Finanças para a Natureza 2026", que analisa como recursos públicos e privados vêm sendo direcionados mundialmente. O documento conclui que trilhões de dólares continuam sustentando setores e práticas que aceleram a perda de biodiversidade, ampliam a poluição e intensificam a crise climática, enquanto os investimentos em soluções ambientais permanecem relativamente limitados.


De acordo com o estudo, áreas como serviços públicos, indústria, energia e produção de materiais básicos concentram parte significativa dos impactos negativos. O levantamento também destaca setores fortemente beneficiados por subsídios considerados prejudiciais ao meio ambiente, entre eles combustíveis fósseis, agricultura intensiva, gestão da água, transportes e construção civil.


Para a diretora-executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Inger Andersen, o fluxo financeiro atual evidencia a magnitude do desafio. Segundo ela, enquanto soluções baseadas na natureza avançam de forma lenta, os investimentos e incentivos que estimulam a degradação ambiental seguem crescendo em ritmo acelerado. A dirigente afirma que a escolha é clara:


"Ou os países continuam financiando a destruição dos ecossistemas, ou redirecionam recursos para impulsionar sua recuperação."  Inger Andersen

Além de diagnosticar o desequilíbrio, o relatório propõe o que chama de uma “grande reviravolta em favor da natureza”. Os autores apresentam exemplos de iniciativas consideradas eficazes e economicamente viáveis, como a ampliação de áreas verdes em cidades para reduzir ilhas de calor e melhorar a qualidade de vida, a incorporação de soluções naturais em infraestruturas rodoviárias e energéticas, e o desenvolvimento de materiais de construção com emissões negativas de carbono.


Lixo eletrônico ©PINTEREST
Lixo eletrônico ©PINTEREST

O documento também traça um caminho para a eliminação gradual de subsídios e investimentos classificados como destrutivos, defendendo sua substituição por financiamentos “positivos para a natureza”. A proposta envolve mudanças regulatórias, revisão de políticas fiscais e maior participação do setor privado em projetos de conservação e restauração ambiental.


Os números apresentados reforçam a dimensão do desafio. Em 2023, cerca de US$ 7,3 trilhões foram direcionados globalmente a atividades prejudiciais à natureza. No mesmo período, apenas US$ 220 bilhões financiaram soluções baseadas na natureza, sendo a maior parte proveniente de gastos públicos. Ainda assim, o relatório aponta sinais de avanço: os investimentos em biodiversidade e proteção da paisagem cresceram 11% entre 2022 e 2023.


O financiamento público internacional para soluções baseadas na natureza também apresentou expansão. Em 2023, esses recursos foram 22% maiores do que no ano anterior e 55% superiores aos níveis registrados em 2015. Para a ONU, embora a tendência seja positiva, o ritmo ainda é insuficiente diante da escala dos desafios ambientais globais.


Ao final, o relatório reforça que a reorientação das finanças globais é vista como peça-chave para enfrentar simultaneamente a crise climática, a perda de biodiversidade e os impactos sociais associados. Sem uma mudança estrutural na forma como o dinheiro circula, avalia a organização, os esforços de proteção ambiental continuarão sendo superados, em larga escala, pelos investimentos na destruição da própria base natural da economia.

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