Violência no norte da Síria eleva risco humanitário a mulheres e meninas
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A intensificação dos combates no norte da Síria, especialmente na região de Aleppo, forçou dezenas de milhares de pessoas a fugir nas últimas semanas, ampliando uma crise humanitária que afeta de forma desproporcional mulheres e meninas. Grávidas, mães e crianças enfrentam frio extremo, falta de abrigo adequado e acesso limitado a serviços de saúde essenciais.

O agravamento da violência em áreas próximas a Aleppo levou famílias inteiras a abandonarem suas casas, interrompendo serviços básicos e provocando o fechamento de hospitais e clínicas. Segundo relatos coletados pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), o deslocamento ocorreu em meio a bombardeios e confrontos armados, aumentando o medo e a insegurança entre civis.
Entre os deslocados estão mulheres grávidas em estágios avançados de gestação, como Fátima, mãe de três filhos, que se encontra em um acampamento improvisado aos oito meses de gravidez. Ela relata que, além das baixas temperaturas do inverno, sua principal preocupação é a ausência de atendimento médico adequado caso entre em trabalho de parto. De acordo com o UNFPA, o deslocamento forçado implica não apenas a perda do lar, mas também da privacidade, da segurança e do acesso à saúde.
Dados humanitários indicam que cerca de 58 mil pessoas permanecem deslocadas após confrontos recentes entre forças de segurança do governo de transição e as Forças Democráticas da Síria (SDF), compostas majoritariamente por combatentes curdos. A instabilidade também se espalhou para áreas vizinhas, ampliando o número de civis em situação de vulnerabilidade.
As condições climáticas agravaram ainda mais o cenário. Com a chegada do inverno, milhares de famílias passaram a viver em acampamentos improvisados, escolas desativadas e prédios inacabados, enfrentando temperaturas congelantes. Mães como Ruhan, também natural de Aleppo, relatam dificuldades para manter os filhos aquecidos e protegidos, após fugir levando apenas o essencial.
Até dezembro de 2025, mais de 890 mil pessoas foram deslocadas internamente na Síria, somando-se a quase sete milhões que já viviam nessa condição. Quatorze anos de conflito armado, associados a choques climáticos e ao declínio econômico, comprometeram a capacidade de recuperação do país e enfraqueceram gravemente o sistema de saúde.
Em resposta à crise, o UNFPA e organizações parceiras intensificaram a atuação com equipes móveis de saúde, oferecendo atendimento em saúde sexual e reprodutiva, distribuição de kits de dignidade com itens de higiene básica e apoio psicossocial às mulheres e meninas deslocadas.
Apesar dos esforços, a situação permanece crítica. Estima-se que cerca de 400 mil mulheres grávidas na Síria tenham dificuldade para acessar serviços essenciais de maternidade. Cortes significativos no financiamento humanitário, iniciados no ano anterior, reduziram ainda mais a capacidade de resposta, ampliando os riscos para a saúde materna e infantil em um contexto já marcado pela escassez de recursos e pela insegurança contínua.
























































