Aumento de sequestros e violência sexual no Sudão do Sul
- www.jornalclandestino.org

- 13 de jan.
- 2 min de leitura
Relatório trimestral da Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul (UNMISS) aponta que, apesar de uma redução geral de confrontos entre julho e setembro de 2025, casos de sequestros e violência sexual ligados ao conflito, preocupam autoridades de direitos humanos. O documento registra mortes, feridos, deslocamento e ataques em várias regiões do país.

A UNMISS divulgou na última sexta-feira seu relatório mais recente sobre direitos humanos no Sudão do Sul, abrangendo o período de julho a setembro de 2025. O documento mostra que episódios de violência relacionados ao conflito continuam a afetar a vida de civis em várias partes do país, mesmo diante de uma diminuição no número total de confrontos.
No total, foram registrados 295 incidentes de violência que atingiram 1.153 civis, incluindo mortos, feridos, sequestros e casos de violência sexual associada ao conflito. Entre as vítimas, estavam 166 mulheres e 93 crianças, segundo o relatório da missão.
De acordo com os dados, 519 civis foram mortos e 396 ficaram feridos no período analisado. Além disso, 159 pessoas foram sequestradas e 79 sofreram violência sexual vinculada aos confrontos armados, o que representa um aumento em determinados tipos de abuso em comparação ao trimestre anterior.
Embora o total de incidentes de violência tenha diminuído 12% e o número global de vítimas tenha caído 24% em relação ao período anterior, a UNMISS alerta que a proteção de civis permanece seriamente comprometida.
A redução observada incluiu uma queda de 18% nas mortes de civis e 41% no número de feridos, mas os sequestros cresceram 20% e os casos de violência sexual aumentaram 7%, o que preocupa autoridades de direitos humanos que acompanham a situação no país.
O relatório destaca que conflitos armados, confrontos entre comunidades, ataques aéreos, bombardeios e confrontos diretos em diversas regiões — incluindo Equatória Central, Jonglei, Unidade, Alto Nilo, Bahr el Ghazal Ocidental e Equatória Ocidental — continuam a expor civis a riscos graves.
O deslocamento forçado segue como um problema profundo, alimentando necessidades humanitárias urgentes e atrapalhando os esforços de paz. As comunidades deslocadas enfrentam insegurança contínua, com pouco acesso a serviços básicos, abrigo ou proteção efetiva.
Em resposta aos dados, a oficial responsável pela UNMISS, Anita Kiki Gbeho, qualificou como “inaceitável” o aumento nos sequestros e na violência sexual, mesmo diante de sinais de redução de outros tipos de violência. Ela ressaltou a necessidade de todas as partes respeitarem o direito internacional humanitário e garantirem a proteção de civis.
Gbeho também enfatizou que a responsabilização por violações de direitos humanos é essencial para fortalecer a confiança, apoiar a reconciliação e construir uma paz duradoura no Sudão do Sul, instando líderes e grupos armados a retomarem compromissos claros com a segurança da população.



















































