Ministro da Colômbia afirma ter sido espionado com software israelense Pegasus
- www.jornalclandestino.org

- 18 de jan.
- 2 min de leitura
O ministro do Interior da Colômbia, Armando Benedetti, afirmou neste domingo (18) que seu telefone celular foi infectado pelo software de espionagem israelense Pegasus. Em publicação nas redes sociais, Benedetti declarou que a presença do Pegasus em seu aparelho foi confirmada por um técnico especializado, identificado por ele como Milton Cuadros. Segundo o ministro, a análise técnica indicou que seus telefones teriam sido interceptados em dezembro do ano passado.
O titular do Interior criticou o Ministério Público colombiano por, segundo ele, ainda não ter solicitado as provas técnicas reunidas por um investigador particular responsável pela verificação do caso. Benedetti questionou publicamente por que a Procuradoria-Geral não o procurou para colher informações ou aprofundar a apuração.
Na mesma manifestação, o ministro levantou a hipótese de que o software possa estar sendo operado dentro de estruturas estatais. “A grande questão é se o Pegasus está presente em agências do Estado ou se funcionários públicos estão manipulando esse sistema”, afirmou, ao pedir esclarecimentos formais às autoridades responsáveis pela investigação.

A denúncia ocorre poucos dias após declarações contraditórias dentro do próprio governo colombiano. Na semana passada, o ministro da Defesa, Pedro Sánchez, negou que haja espionagem em curso com o uso do Pegasus, depois de o ministro da Justiça, Andrés Idárraga Franco, mencionar suspeitas sobre o emprego do programa no país.
Sánchez reconheceu que o spyware esteve na Colômbia entre 2021 e 2022, mas sustentou que seu uso foi interrompido e que atualmente não há operações desse tipo em andamento. Segundo ele, as forças públicas não utilizam o Pegasus e qualquer atividade de inteligência deve ocorrer apenas com ordem judicial e dentro do devido processo legal.
O tema já havia sido trazido à tona anteriormente pelo presidente Gustavo Petro. Em 2024, ele revelou que a agência de inteligência da polícia colombiana adquiriu o Pegasus de uma empresa israelense em junho de 2021, período marcado por intensos protestos sociais no país, e determinou a abertura de investigações sobre a compra e seu possível uso.
Desenvolvido pela empresa israelense NSO Group, o Pegasus é um software capaz de acessar comunicações, arquivos e microfones de celulares sem o conhecimento dos usuários. A ferramenta é alvo de críticas internacionais e de organizações de direitos humanos, que apontam seu uso recorrente para espionagem política, vigilância de jornalistas, opositores e ativistas em diversos países.



















































