Havana rejeita pressão dos EUA e afirma direito ao comércio livre
- www.jornalclandestino.org

- 13 de jan.
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que Cuba deixará de receber petróleo e dinheiro oriundos da Venezuela após o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro, pressionando Havana a negociar com Washington. O governo cubano rebateu, defendendo seu direito soberano ao comércio e criticando a postura estadunidense como coercitiva e hostil.

O anúncio de Donald Trump de que Cuba deixaria de receber petróleo e recursos financeiros provenientes da Venezuela intensificou uma já tensa relação entre Washington e Havana. Trump afirmou que o fluxo de petróleo e dinheiro venezuelanos para Cuba cessaria, e sugeriu que o governo cubano buscasse um acordo com os Estados Unidos “antes que seja tarde demais”, sem detalhar os termos de tal negociação.
A medida surge na esteira de uma operação militar dos EUA contra a Venezuela, que resultou no sequestro do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e na morte de dezenas de membros das forças de segurança de Caracas e de Cuba. Trump vinculou a presença de serviços de segurança prestados por Cuba aos venezuelanos ao fornecimento de petróleo, indicando que esse fluxo de recursos não continuaria nas atuais condições.
Em resposta, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, publicou mensagens nas redes sociais em que rejeita as acusações de que a ilha recebe petróleo em troca de “serviços de segurança”. Rodríguez afirmou que Cuba tem o “direito absoluto” de importar combustível de qualquer mercado disposto a vender, sem interferência ou coerção por parte dos Estados Unidos.
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, classificou o pronunciamento de Trump como “histérico” e reafirmou a soberania de seu país. Díaz-Canel afirmou que Cuba é uma nação livre, independente e soberana, que tem sido alvo de agressões por parte dos EUA ao longo de seis décadas e que está pronta para defender sua pátria “até a última gota de sangue”.
Autoridades cubanas também criticaram a abordagem estadunidense como uma forma de coerção econômica e política, destacando que Washington teria tentado, historicamente, pressionar Cuba por meio de sanções e bloqueios. Rodríguez enfatizou que, ao contrário dos Estados Unidos, Cuba não recorre à “chantagem ou coerção militar” em suas relações internacionais.
Especialistas em relações internacionais observam que a decisão de Trump de cortar o fornecimento de petróleo venezuelano a Cuba ocorre em um momento de realinhamento geopolítico na região e pode agravar ainda mais a crise energética e econômica que a ilha enfrenta. Cuba já dependeu em grande parte do petróleo venezuelano, recebendo anteriormente dezenas de milhares de barris por dia para suprir suas necessidades energéticas.
Enquanto isso, Havana tem procurado alternativas para mitigar os impactos do corte planejado, inclusive reforçando relações comerciais com outros países dispostos a vender combustíveis. O debate diplomático entre os Estados Unidos e Cuba deve continuar nos próximos dias, sem sinais claros de aproximação entre os dois governos por ora.



















































