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EUA classificam afiliados da Irmandade Muçulmana como terroristas e ampliam sanções no Oriente Médio

O governo dos Estados Unidos anunciou a designação de afiliados da Irmandade Muçulmana no Egito, Líbano e Jordânia como organizações terroristas. A decisão, oficializada após ordem executiva assinada pelo presidente Donald Trump, prevê sanções econômicas severas e restrições legais, e foi justificada por Washington com base em alegações de apoio ao Hamas e a ações consideradas hostis a Israel.


Mohamed Morsi (1951–2019) foi o primeiro presidente democraticamente eleito do Egito após a Revolução de 2011, representando a Irmandade Muçulmana. Seu governo, marcado por tensões políticas e sociais, enfrentou protestos massivos e conflitos com o Judiciário e as forças armadas. Em 2013, foi deposto por um golpe militar liderado pelo general Abdel Fattah el-Sisi, após apenas um ano no poder, e posteriormente enfrentou processos judiciais que culminaram em sua morte durante um julgamento em 2019.
Mohamed Morsi (1951–2019) foi o primeiro presidente democraticamente eleito do Egito após a Revolução de 2011, representando a Irmandade Muçulmana. Seu governo, marcado por tensões políticas e sociais, enfrentou protestos massivos e conflitos com o Judiciário e as forças armadas. Em 2013, foi deposto por um golpe militar liderado pelo general Abdel Fattah el-Sisi, após apenas um ano no poder, e posteriormente enfrentou processos judiciais que culminaram em sua morte durante um julgamento em 2019.

Os Estados Unidos formalizaram, na terça-feira (14), a inclusão de afiliados da Irmandade Muçulmana no Egito, no Líbano e na Jordânia em suas listas de organizações terroristas. A medida representa uma escalada na política de Washington contra grupos que, segundo o governo dos EUA, ameaçam a segurança regional e os interesses de Israel.


De acordo com autoridades norte-americanas, o Departamento do Tesouro classificou as filiais egípcia e jordaniana como “terroristas globais especialmente designados”, enquanto o Departamento de Estado impôs à organização libanesa Al-Jamaa al-Islamiya a categoria de “organização terrorista estrangeira”. Essa classificação implica sanções econômicas rigorosas, proibição de qualquer tipo de apoio material e restrições de entrada de integrantes dessas entidades em território dos EUA.

A administração Trump afirmou que a decisão se baseia em investigações que apontariam apoio direto ou indireto dessas organizações ao Movimento de Resistência Islâmica Palestina (Hamas), também classificado como terrorista pelos Estados Unidos, além de envolvimento em atividades consideradas contrárias aos interesses israelenses.


Segundo o Departamento do Tesouro, os grupos teriam buscado se apresentar como organizações civis legítimas, enquanto, na avaliação do governo norte-americano, mantinham vínculos políticos e operacionais com o Hamas. Washington reiterou ainda seu apoio estratégico a Israel em meio ao atual conflito na Faixa de Gaza.


Trump e Netanyahu ©WHITE HOUSE
Trump e Netanyahu ©WHITE HOUSE

A liderança da Irmandade Muçulmana no Egito reagiu à decisão. Salah Abdel Haq, líder interino da organização no país, rejeitou a classificação e declarou que o grupo pretende contestar a medida por vias legais. Ele afirmou que a Irmandade não dirige, financia nem executa ações terroristas e atribuiu a decisão a pressões políticas de aliados regionais dos EUA, como Emirados Árabes Unidos e Israel.


O Ministério das Relações Exteriores do Egito, por sua vez, manifestou apoio à iniciativa, classificando-a como um passo relevante para a segurança regional e internacional. Autoridades egípcias reiteraram que consideram a Irmandade Muçulmana uma ameaça à estabilidade do país e da região.


No Líbano, a Al-Jamaa al-Islamiya também rejeitou a designação, afirmando que atua como organização política e social legalmente registrada e autorizada, com décadas de atuação no país. A entidade sustenta que não possui caráter armado nem envolvimento em atividades terroristas.


Fundada em 1928 no Egito por Hassan al-Banna, a Irmandade Muçulmana tornou-se uma das organizações islâmicas mais influentes do Oriente Médio, com ramificações em diversos países. As designações anunciadas pelos EUA ocorrem em um contexto de crescente pressão política de setores conservadores norte-americanos contra organizações muçulmanas, especialmente aquelas críticas às políticas de Israel.


Após a ordem executiva assinada por Donald Trump, governadores republicanos do Texas e da Flórida também anunciaram a classificação do Conselho de Relações Americano-Islâmicas (CAIR) e da Irmandade Muçulmana como organizações terroristas em seus estados, decisões que estão sendo contestadas judicialmente pelo CAIR.

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