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França rejeita “Conselho da Paz” proposto por Trump para Gaza e presidente dos EUA ameaça tarifa de 200% sobre vinhos franceses

A França anunciou que não pretende aderir ao chamado “Conselho da Paz” para a Faixa de Gaza, iniciativa proposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A decisão foi justificada por Paris com base em preocupações sobre o respeito aos princípios e à estrutura das Nações Unidas.


Emmanuel Macron I ARQUIVO
Emmanuel Macron I ARQUIVO

Em comunicado divulgado na segunda-feira (20), fontes próximas ao presidente francês Emmanuel Macron informaram às agências de notícias que a França foi convidada pelos Estados Unidos a integrar a chamada “Junta da Paz”. Segundo a nota, “como vários outros Estados, a França foi convidada pelos Estados Unidos a se juntar à Junta de Paz” e, juntamente com seus parceiros mais próximos, analisa o texto proposto, ressaltando que o escopo do órgão “vai além da situação em Gaza”.


O documento enfatiza que a proposta apresentada por Donald Trump “levanta questões de grande importância, em particular no que diz respeito ao respeito aos princípios e à estrutura da ONU, que em nenhum caso podem ser questionados”. A avaliação francesa indica preocupação com a criação de um mecanismo paralelo às instituições multilaterais já existentes.

Antes mesmo dessa declaração, o Ministério das Relações Exteriores da França havia reiterado o “apego” do país à Carta das Nações Unidas. Segundo o ministério, o documento “permanece como a pedra angular do multilateralismo eficaz, no qual o direito internacional, a igualdade soberana dos Estados e a resolução pacífica das disputas prevalecem sobre a arbitrariedade, as relações de poder e a guerra”.


Com essa posição, a França — membro permanente do Conselho de Segurança da ONU — reafirmou seu compromisso com a Resolução 2803, adotada em 17 de novembro de 2025. A medida tem como principal objetivo fortalecer a entrega de ajuda humanitária à Faixa de Gaza e sustentar um caminho considerado credível para a autodeterminação palestina e o reconhecimento de um Estado palestino. A resolução também apoia a retomada do diálogo entre Israel e os palestinos para a construção de um horizonte político de coexistência pacífica.


A recusa francesa gerou reação pública de Donald Trump. Questionado sobre a decisão de Paris, o presidente dos Estados Unidos afirmou: “Ele disse isso? Bem, ninguém o quer porque ele vai deixar o cargo muito em breve”. Na mesma declaração, Trump acrescentou: “Vou impor uma tarifa de 200% sobre seus vinhos e champanhes, e você vai participar, mas não é obrigado a fazê-lo”, conforme registrado por agências internacionais.

Na sexta-feira anterior, a Casa Branca havia anunciado oficialmente os membros do chamado “Conselho da Paz”, órgão que deve supervisionar um plano de 20 pontos elaborado por Trump com o objetivo declarado de encerrar a guerra em Gaza. De acordo com comunicado oficial, o presidente norte-americano também convidou diversos líderes internacionais a integrar a iniciativa.


Entre os chefes de Estado e de governo convidados estão o presidente da Rússia, Vladimir Putin; o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán; o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney; o presidente do Paraguai, Santiago Peña; o presidente da Argentina, Javier Milei; o rei Abdullah II, da Jordânia; o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan; o líder da Bielorrússia, Alexander Lukashenko; e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi.


A proposta do “Conselho da Paz” também tem sido alvo de críticas de diferentes atores regionais. Grupos palestinos, como a Jihad Islâmica, classificaram a iniciativa como um instrumento a serviço de Israel, segundo declarações divulgadas pela HispanTV. O debate sobre o novo órgão segue aberto e deve continuar gerando repercussões diplomáticas em meio à instabilidade persistente no Oriente Médio.

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