Governo Trump amplia repressão: “Parem de protestar, parem de gritar com a polícia e comecem a se comportar civilizadamente.” Afirma deputado republicano
- www.jornalclandestino.org

- 13 de jan.
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Declarações de aliados do presidente Donald Trump e ações de órgãos federais indicam um endurecimento contra protestos nos Estados Unidos. Após um episódio envolvendo o ICE em Minneapolis, congressistas republicanos defenderam que a população evite manifestações e obedeça sem questionar agentes federais, enquanto casos de repressão a ativistas pró-Palestina reacendem o debate sobre limites à liberdade de expressão.

Dois dias após um agente do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) ter matado Renée Good em Minneapolis, o deputado republicano Roger Williams, do Texas, afirmou que críticas e protestos contra a atuação policial precisam cessar. Em entrevista à NewsNation, ele disse que as pessoas devem “parar de protestar, parar de gritar com a polícia e começar a se comportar civilizadamente”, defendendo que quem “fica em casa” seja protegido.
Williams não ocupa um cargo periférico. Com sete mandatos no Congresso, ele preside o Comitê de Pequenas Empresas da Câmara dos Representantes, e suas declarações foram interpretadas por analistas como a expressão de uma linha política mais ampla adotada por aliados do governo Trump em relação à dissidência.
Ao longo de quase um ano, o presidente Donald Trump e integrantes de sua administração vêm sendo acusados por críticos de promover ataques sistemáticos à Primeira Emenda da Constituição dos EUA, que garante a liberdade de expressão. O governo já direcionou críticas e ameaças a figuras públicas, artistas, empresas e escritórios de advocacia, além de ativistas políticos.
Entre os primeiros alvos dessa política estiveram manifestantes pró-Palestina. No início do ano passado, o ICE passou a deter e tentar deportar imigrantes com status legal que participaram de protestos ou expressaram posições favoráveis à causa palestina, como Mahmoud Khalil e Rümeysa Öztürk. Autoridades do governo afirmaram publicamente que a participação em protestos foi um fator determinante nesses casos.

O então secretário adjunto de Segurança Interna, Troy Edgar, declarou que a tentativa de deportação de Khalil estava relacionada à decisão do ativista de “protestar”. Já a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que protestos classificados pelo governo como “antiamericanos, antissemitas ou pró-Hamas” não seriam tolerados.
O discurso foi reforçado por parlamentares republicanos. Em março, o senador Tommy Tuberville, do Alabama, defendeu a prisão de manifestantes, afirmando que, embora a liberdade de expressão seja importante, não haveria espaço para o que chamou de “discurso de ódio” em universidades. Especialistas em direito constitucional ressaltam que, independentemente da interpretação política, esse tipo de discurso é protegido pela Primeira Emenda.
A retórica também se estendeu ao Departamento de Justiça. Em setembro, a procuradora-geral Pam Bondi afirmou que o governo “iria atrás” de pessoas envolvidas em discursos classificados como de ódio, declaração que gerou críticas de juristas, que lembraram que o governo não pode criminalizar opiniões protegidas pela Constituição.
Após a morte de Renée Good, o deputado Wesley Hunt, também republicano do Texas e pré-candidato ao Senado, declarou que a “questão fundamental” seria obedecer às ordens de agentes federais para preservar a própria vida, reforçando a visão de que confrontar autoridades não é aceitável.
O tema voltou ao debate quando o governador de Minnesota, Tim Walz, afirmou que protestar é um “dever patriótico”. Em reação, o apresentador Carl Higbie, da Newsmax, questionou o que poderia ocorrer caso milhares de pessoas fossem às ruas contra o ICE, insinuando riscos de confrontos.



















































