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Governo Trump amplia repressão: “Parem de protestar, parem de gritar com a polícia e comecem a se comportar civilizadamente.” Afirma deputado republicano

Declarações de aliados do presidente Donald Trump e ações de órgãos federais indicam um endurecimento contra protestos nos Estados Unidos. Após um episódio envolvendo o ICE em Minneapolis, congressistas republicanos defenderam que a população evite manifestações e obedeça sem questionar agentes federais, enquanto casos de repressão a ativistas pró-Palestina reacendem o debate sobre limites à liberdade de expressão.


Protestos @reuters
Protestos @reuters
Dois dias após um agente do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) ter matado Renée Good em Minneapolis, o deputado republicano Roger Williams, do Texas, afirmou que críticas e protestos contra a atuação policial precisam cessar. Em entrevista à NewsNation, ele disse que as pessoas devem “parar de protestar, parar de gritar com a polícia e começar a se comportar civilizadamente”, defendendo que quem “fica em casa” seja protegido.

Williams não ocupa um cargo periférico. Com sete mandatos no Congresso, ele preside o Comitê de Pequenas Empresas da Câmara dos Representantes, e suas declarações foram interpretadas por analistas como a expressão de uma linha política mais ampla adotada por aliados do governo Trump em relação à dissidência.


Ao longo de quase um ano, o presidente Donald Trump e integrantes de sua administração vêm sendo acusados por críticos de promover ataques sistemáticos à Primeira Emenda da Constituição dos EUA, que garante a liberdade de expressão. O governo já direcionou críticas e ameaças a figuras públicas, artistas, empresas e escritórios de advocacia, além de ativistas políticos.


Entre os primeiros alvos dessa política estiveram manifestantes pró-Palestina. No início do ano passado, o ICE passou a deter e tentar deportar imigrantes com status legal que participaram de protestos ou expressaram posições favoráveis à causa palestina, como Mahmoud Khalil e Rümeysa Öztürk. Autoridades do governo afirmaram publicamente que a participação em protestos foi um fator determinante nesses casos.



Membros da Polícia Metropolitana de Los Angeles entram em confronto com manifestantes durante um protesto contra varreduras federais de imigração no centro de Los Angeles, em 8 de junho de 2025. REUTERS I Daniel C
Membros da Polícia Metropolitana de Los Angeles entram em confronto com manifestantes durante um protesto contra varreduras federais de imigração no centro de Los Angeles, em 8 de junho de 2025. REUTERS I Daniel C

O então secretário adjunto de Segurança Interna, Troy Edgar, declarou que a tentativa de deportação de Khalil estava relacionada à decisão do ativista de “protestar”. Já a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que protestos classificados pelo governo como “antiamericanos, antissemitas ou pró-Hamas” não seriam tolerados.


O discurso foi reforçado por parlamentares republicanos. Em março, o senador Tommy Tuberville, do Alabama, defendeu a prisão de manifestantes, afirmando que, embora a liberdade de expressão seja importante, não haveria espaço para o que chamou de “discurso de ódio” em universidades. Especialistas em direito constitucional ressaltam que, independentemente da interpretação política, esse tipo de discurso é protegido pela Primeira Emenda.


A retórica também se estendeu ao Departamento de Justiça. Em setembro, a procuradora-geral Pam Bondi afirmou que o governo “iria atrás” de pessoas envolvidas em discursos classificados como de ódio, declaração que gerou críticas de juristas, que lembraram que o governo não pode criminalizar opiniões protegidas pela Constituição.


Após a morte de Renée Good, o deputado Wesley Hunt, também republicano do Texas e pré-candidato ao Senado, declarou que a “questão fundamental” seria obedecer às ordens de agentes federais para preservar a própria vida, reforçando a visão de que confrontar autoridades não é aceitável.


O tema voltou ao debate quando o governador de Minnesota, Tim Walz, afirmou que protestar é um “dever patriótico”. Em reação, o apresentador Carl Higbie, da Newsmax, questionou o que poderia ocorrer caso milhares de pessoas fossem às ruas contra o ICE, insinuando riscos de confrontos.


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