Lavrov desmente Trump e nega planos de Rússia e China sobre a Groenlândia
- www.jornalclandestino.org

- 20 de jan.
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O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, afirmou nesta terça-feira (20) que Moscou e Pequim não têm qualquer plano para assumir o controle da Groenlândia. A declaração responde às alegações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem defendido a anexação da ilha por razões de segurança. Segundo Lavrov, autoridades estadunidenses sabem que não existe intenção russa ou chinesa nesse sentido. O chanceler também questionou o status histórico da Groenlândia como parte da Dinamarca, classificando-o como herança colonial. As falas ocorrem em meio à escalada de tensões entre Washington e países europeus sobre o futuro da região ártica.

Durante entrevista coletiva em Moscou para apresentar o balanço da política externa russa em 2025, Lavrov foi categórico ao rejeitar a narrativa apresentada pela Casa Branca. “Não temos nada a ver com planos para tomar a Groenlândia”, afirmou, acrescentando que o tema não faz parte da agenda estratégica da Rússia nem da China.
De acordo com o ministro, o governo dos Estados Unidos tem pleno conhecimento da inexistência de tais planos. Lavrov disse não ter dúvidas de que Washington reconhece internamente a ausência de qualquer projeto russo ou chinês voltado à ilha, atualmente território autônomo sob soberania da Dinamarca.
Donald Trump tem reiterado o interesse em adquirir a Groenlândia, declarando que a medida seria necessária para garantir a segurança nacional dos Estados Unidos diante de uma suposta disputa geopolítica no Ártico. A região é considerada estratégica não apenas por sua localização, mas também pelas reservas de hidrocarbonetos e minerais, além de sua importância crescente em rotas marítimas abertas pelo derretimento do gelo.
Lavrov também abordou a origem histórica do vínculo entre a Groenlândia e a Dinamarca, afirmando que a ilha não seria uma “parte original” do Estado dinamarquês. Segundo ele, o território foi inicialmente uma colônia norueguesa desde o século XIII e passou ao controle dinamarquês no século XIX, sendo integrado formalmente ao Estado apenas em meados do século XX. Para o chanceler, trata-se de um legado do período colonial europeu.
Em uma comparação que gerou controvérsia, Lavrov equiparou a importância estratégica da Groenlândia para os Estados Unidos à relevância da Crimeia para a Rússia. Ele citou o referendo realizado em 2014 na península ucraniana, anexada por Moscou e considerada ilegal pela maior parte da comunidade internacional, como exemplo de decisões justificadas por argumentos de segurança nacional.

As declarações do ministro russo coincidem com o aumento da pressão de Washington sobre a União Europeia. Diante da resistência europeia em discutir qualquer mudança no status da Groenlândia, Trump ameaçou impor tarifas de 10% sobre produtos de oito países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), incluindo Alemanha, França e Reino Unido, a partir de 1º de fevereiro.
Segundo o governo dos EUA, as tarifas poderão chegar a 25% a partir de junho caso os países europeus mantenham apoio político e militar à autonomia dinamarquesa na região ártica. A medida aprofundou as tensões entre aliados históricos.
Lavrov avaliou que o impasse em torno da Groenlândia evidencia uma crise estrutural nas instituições ocidentais. Para ele, tanto a OTAN quanto a União Europeia enfrentam um momento de fragilidade, agravado pelo conflito com os Estados Unidos sobre o controle da ilha. O chanceler chegou a mencionar discussões na Europa sobre uma possível dissolução da aliança militar.
Na avaliação do ministro, a situação na Groenlândia simboliza uma ruptura mais ampla no modelo euro-atlântico de segurança. Lavrov defendeu que esse sistema estaria desacreditado e propôs a construção de um novo arranjo de segurança de caráter eurasiático, baseado no diálogo e em uma nova ordem internacional.



















































