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Mais de 113 mil famílias deslocadas em Cabo Delgado necessitam de apoio humanitário

O Instituto de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) de Moçambique informou nesta segunda-feira (6), em Pemba, que mais de 113 mil famílias deslocadas na província de Cabo Delgado precisarão de apoio humanitário nos próximos seis meses. A assistência será coordenada em paralelo com o plano de contingência para a temporada de chuvas, que vai de outubro a abril.


Durante reunião do Comité Operativo de Emergência de Cabo Delgado, o delegado do INGD, Marques Tamadune Naba, destacou que os bens alimentares são a prioridade das necessidades dessas famílias, reforçando a complexidade da operação humanitária diante da coincidência com a época chuvosa.


Deslocados em Cabo Delgado, Moçambique. ©MZNews
Deslocados em Cabo Delgado, Moçambique. ©MZNews

O Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, classificou os ataques como “atos bárbaros” que atentam contra a dignidade humana, a soberania do país e a liberdade do povo moçambicano. Em discurso na oitava Conferência Nacional Religiosa, em Maputo, Chapo apelou ao Conselho das Religiões para promover valores éticos, morais e a convivência harmoniosa entre os cidadãos.


A província de Cabo Delgado, rica em gás, enfrenta ataques terroristas desde 5 de outubro de 2017, quando ocorreu o primeiro ataque no distrito de Mocímboa da Praia. Este ano, incidentes atribuídos às organizações insurgentes atingiram também as províncias vizinhas de Niassa, entre abril e maio, e Nampula na última semana, com 45 residências incendiadas.


O Projeto de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED) contabiliza 6.257 mortes em oito anos de ataques em Cabo Delgado, incluindo pelo menos 2.631 civis. Segundo o pesquisador Peter Bofin, o Estado Islâmico de Moçambique manteve presença em 11 distritos da província em setembro e cruzou para Nampula no final do mês, demonstrando a persistência e expansão da violência.


Agências das Nações Unidas relataram que quase 22 mil pessoas fugiram de três distritos de Cabo Delgado entre 19 e 26 de setembro, devido ao aumento da violência. Desde 2017, os ataques já provocaram mais de um milhão de deslocados na região, segundo estimativas oficiais. Em julho deste ano, a destruição de dezenas de igrejas católicas e outros incidentes gerou mais de 57 mil deslocados apenas no sul da província, que buscaram refúgio na sede do distrito de Chiúre.


O cenário em Cabo Delgado permanece crítico, combinando deslocamento massivo, destruição de infraestrutura e riscos adicionais provocados pela temporada de chuvas, exigindo esforços contínuos das autoridades e organizações humanitárias para atender à população afetada.

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