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Mil dias de guerra no Sudão aprofundam a maior crise de fome e a maior emergência de deslocamento do mundo

Ao completar mil dias, a guerra no Sudão consolidou a maior crise de fome e a maior emergência de deslocamento do mundo, segundo a ONU. O conflito já expulsou milhões de pessoas de suas casas, mantém combates ativos em várias regiões e expõe crianças e mulheres a níveis extremos de violência, enquanto a resposta humanitária enfrenta grave falta de recursos.


Após quase três anos de confrontos entre as Forças Armadas Sudanesas e as Forças de Apoio Rápido, o impacto sobre a população civil segue se agravando. Dados recentes das Nações Unidas indicam que cerca de 9,3 milhões de pessoas foram deslocadas internamente e mais de 4,3 milhões buscaram refúgio em países vizinhos, pressionando sistemas já frágeis na região.


Arquivo @osama
Arquivo @osama

A crise alimentar alcançou patamares alarmantes. Estima-se que mais de 21 milhões de sudaneses vivam em situação de insegurança alimentar aguda, resultado direto da interrupção de cadeias de abastecimento, do isolamento de cidades e da destruição de meios de subsistência. Para a ONU, os civis “pagam diariamente o preço de uma guerra que não escolheram”.


Na capital, Cartum, parte dos deslocados começou a retornar, mas o cenário permanece perigoso. Além da destruição generalizada, há riscos constantes provocados por munições não detonadas e infraestrutura danificada. Em outras áreas do país, os combates continuam intensos, especialmente na região de Kordofan, onde há enfrentamentos simultâneos em várias frentes.


Segundo o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), cercos prolongados isolaram cidades estratégicas como Kadugli, capital de Kordofan do Sul, e Dilling, ao norte. A restrição de acesso tem comprometido o fornecimento de alimentos, serviços de saúde e a circulação até fazendas e mercados locais.


Em Darfur, a situação segue instável, com combates terrestres e ataques com drones ocorrendo de forma recorrente. A ONU também registra ofensivas de longo alcance contra infraestrutura civil em áreas distantes das linhas de frente, ampliando o alcance dos danos à população.


As crianças figuram entre as principais vítimas do conflito. Um ataque recente em Al Obeid, no estado de Kordofan do Norte, teria matado ao menos oito crianças. De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), cerca de 5 mil jovens são deslocados todos os dias desde o início da guerra, muitos deles forçados a fugir repetidamente.


Além do deslocamento, o UNICEF alerta para o risco extremo de violência sexual contra menores. Milhões de crianças, incluindo bebês, estariam expostas a estupros e outras formas de abuso. Para a agência, cada estatística representa uma criança com fome, medo e doenças, sem compreender a ausência de ajuda efetiva.


As mulheres também enfrentam um cenário crítico. O OCHA estima que aproximadamente 12 milhões de pessoas, majoritariamente mulheres e meninas, estejam sob risco de violência de gênero. Lares chefiados por mulheres apresentam probabilidade três vezes maior de insegurança alimentar, e a maioria relata não ter alimentos suficientes.


A resposta humanitária sofre com a escassez de recursos. Em 2025, apenas 36% dos US$ 4,2 bilhões solicitados para assistência no Sudão foram efetivamente financiados. Diante desse quadro, a ONU planeja priorizar, em 2026, o atendimento a 20 milhões de pessoas, de um total estimado de 34 milhões necessitando de ajuda, com um orçamento previsto de US$ 2,9 bilhões.


A ONU reforça que a prioridade imediata é a cessação das hostilidades e o avanço concreto rumo a uma paz duradoura. O organismo também cobra o respeito ao direito internacional humanitário, com acesso seguro às áreas afetadas e proteção efetiva de civis, trabalhadores humanitários e da infraestrutura essencial.


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