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Ministro iraniano alerta BRICS sobre riscos ambientais e humanos de ataques de EUA e Israel a instalações nucleares

Durante a sessão de encerramento da 17ª Cúpula do BRICS, realizada nesta segunda-feira (7) no Rio de Janeiro, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araqchi, fez um pronunciamento contra os recentes ataques israelenses e estadunidenses às instalações nucleares iranianas. O diplomata advertiu que essas ações colocam em risco não apenas a população iraniana, mas também o meio ambiente, classificando os impactos potenciais como “graves e irreversíveis”.


Ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araqchi
Ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araqchi

Araqchi denunciou os bombardeios contra três das principais instalações de enriquecimento de urânio no centro e centro-norte do país, e criticou o que chamou de “agressões imprudentes” por parte de “dois regimes armados com armas nucleares contra um Estado que sequer as possui”.


Apesar de o Irã ser signatário do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) e manter suas atividades nucleares sob rigorosa inspeção da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Araqchi apontou que as ações militares de Estados Unidos e Israel violam abertamente o direito internacional, a Carta da ONU e o Estatuto da AIEA. Segundo ele, os danos ecológicos decorrentes dessas operações militares são “potencialmente irreparáveis”.


O chanceler iraniano também acusou os dois países de se apoiarem em uma resolução recente da AIEA, elaborada sob “forte pressão ocidental”, como justificativa para seus ataques. A resolução alegava que Teerã não estava cumprindo suas obrigações com o órgão, embora o Irã tenha sido submetido, segundo Araqchi, “às inspeções mais intrusivas da história da agência”.


Em outro trecho de seu discurso, Araqchi ampliou a crítica ao panorama global, responsabilizando as nações desenvolvidas pelos desafios ambientais enfrentados atualmente, como a elevação das temperaturas, escassez de água, incêndios florestais e degradação dos ecossistemas. Ele defendeu que os países do BRICS liderem uma reforma urgente da governança internacional, diante da paralisia da ONU frente a crises ambientais e agressões militares.


O diplomata também chamou atenção para o impacto negativo das sanções econômicas, que, segundo ele, dificultam a cooperação internacional em questões climáticas. No caso iraniano, Araqchi denunciou o uso político dessas sanções como ferramenta de pressão, prejudicando a capacidade do país de enfrentar os desafios ambientais com os quais convive diariamente.


A fala do ministro iraniano ecoa em um momento de crescente tensão no Oriente Médio e reforça os apelos por uma ordem internacional mais equilibrada, na qual o multilateralismo do bloco BRICS se contrapõe ao unilateralismo das potências ocidentais.

 
 
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