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“Faremos o que for preciso”, diz Netanyahu sobre plano para matar Aiatolá Khamenei

Em entrevista concedida à emissora norte-americana Fox News, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, foi confrontado neste domingo (15) sobre uma revelação explosiva feita pela agência Reuters: o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria vetado um plano israelense para assassinar o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei.


Sem negar abertamente a existência da proposta, Netanyahu preferiu contornar a acusação com uma resposta evasiva. “Há tantos relatos falsos de conversas que nunca aconteceram”, declarou, antes de lançar um recado cifrado ao Irã: “Faremos o que for necessário. E acredito que os Estados Unidos sabem o que é bom para os Estados Unidos”.


Netanyahu e Trump I ©Reuters - arquivo
Netanyahu e Trump I ©Reuters - arquivo

Segundo fontes da administração estadunidense ouvidas sob anonimato pela Reuters, o governo de Israel informou a Washington que teria uma janela de oportunidade para eliminar a mais alta autoridade da República Islâmica. A Casa Branca, no entanto, teria barrado a iniciativa. Trump, à época, ainda alimentava esperanças de reabrir negociações com Teerã em torno do acordo nuclear, abandonado unilateralmente pelos EUA em 2018.


Um dos funcionários citados na reportagem afirmou: “Os iranianos já mataram algum americano? Não. Até que façam isso, não estamos nem discutindo atacar a liderança política”. A declaração explicita o limite imposto pela política externa estadunidense, ainda que relutante, frente a um possível atentado de magnitude internacional.


O episódio ocorre em meio à escalada de tensão entre Israel e Irã. Recentemente, Tel Aviv lançou bombardeios contra alvos iranianos, sob a justificativa de "frear o avanço nuclear persa". Desde então, ambos os países mantêm seus arsenais em alerta, enquanto Israel segue em diálogo estreito com Washington.


Embora não esteja claro se a recusa partiu diretamente de Trump, fontes próximas indicam que ele e Netanyahu mantinham comunicações frequentes, o que revela o grau de articulação entre os dois aliados. Em outra entrevista à Reuters, concedida na última sexta-feira (13), Trump deixou escapar: “Sabíamos de tudo”.


Com a retórica beligerante voltando ao centro da política regional, a recusa de Washington em dar carta branca para um assassinato político demonstra que, ao menos desta vez, o império tentou conter a sede de sangue de seu parceiro mais mimado no Oriente Médio.

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