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Sob Cessar-Fogo, População Deslocada de Gaza Enfrenta Inverno em Condições Desumanas

Em janeiro de 2026, centenas de milhas de famílias palestinas deslocadas na Faixa de Gaza enfrentam um inverno rigoroso em condições extremamente precárias, vivendo em tendas frágeis que não resistem a chuvas e ventos fortes. A situação crítica persiste apesar do cessar-fogo, pois o bloqueio à entrada de unidades habitacionais móveis pré-fabricadas e a destruição massiva da infraestrutura forçam civis a construírem abrigos improvisados de zinco, madeira e até mesmo lama, em meio a uma crise humanitária agravada.


De acordo com dados da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos (UNRWA), aproximadamente 1,5 milhão de palestinos tiveram suas casas destruídas durante o genocídio. Cerca de 80.000 pessoas vivem em centros de abrigo coletivos, enquanto centenas de milhares estão abrigadas em tendas superlotadas em áreas como Al-Mawasi, Khan Younis e Cidade de Gaza. Os abrigos disponíveis, muitos antigos e feitos de tecido ou plástico, são facilmente danificados por intempéries, deixando as famílias expostas ao frio, à umidade e a doenças.


Foto: @mahmoudhamda
Foto: @mahmoudhamda

Relatos de moradores à imprensa internacional ilustram a gravidade do cenário. Uma mulher identificada como um Qusai, deslocada múltiplas vezes e que perdeu dois filhos em bombardeios, descreve a luta diária em uma tenda com seus cinco filhos.


"Quando chove, elas voam e se rasgam... Água e frio entram em nós", afirmou. Outro deslocado, Abu Mohammad, após nove deslocamentos, gastou o equivalente a mais de 8.000 shekels para construir um abrigo de chapas de zinco, considerado uma opção "mais segura que uma barraca".

A proibição da entrada de unidades habitacionais móveis, que seriam uma solução mais digna e durável, é apontada como um dos principais entraves. Adnan Abu Hasna, assessor de mídia da UNRWA, confirmou que a agência tem estoques desses suprimentos em países vizinhos, mas não sabe por que Israel impede a entrada dos módulos habitacionais, que fariam "um grande impacto" e seriam "dezenas de vezes melhores que barracas". Analistas, como o jordaniano Abdel Hakim Al-Qaraleh, interpretam o bloqueio como parte de um esforço sistemático para tornar a vida "inabitável" em Gaza, violando o direito humanitário internacional.


Na falta de opções formais, a população recorre à criatividade e a recursos escassos. Jovens como Jaafar relatam a construção de cômodos de lama, usando milhares de tijolos artesanais, numa tentativa desesperada de proteger suas famílias. A organização caritativa Medad Palestine Charity também começou a financiar a construção de tendas de madeira. No entanto, a escassez de matérias-primas e a falta de apoio financeiro em larga escala tornam essas soluções locais insuficientes para atender à dimensão da crise.


A UNICEF já alertou, em dezembro de 2025, para mortes de crianças devido a enchentes e frio extremo nos campos. A contaminação da água, o vazamento de esgoto entre as tendas e a superlotação criam um ambiente propício para surtos de doenças. Apesar dos acordos de cessar-fogo prevendo ajuda humanitária sustentável, a assistência que chega é considerada muito aquém das necessidades, deixando a população deslocada de Gaza em uma luta contínua pela mera sobrevivência enquanto o inverno avança.

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